Polícia

"Operação Usura" prende quadrilha de agiotas colombianos em Maceió

13/03/18 - 16h54 - Atualizado em 13/03/18 - 17h02
Letícia Sobreira/TNH1

A Polícia Civil apresentou em coletiva realizada nesta terça-feira (13) o resultado da Operação Usura, que desmantelou uma organização criminosa responsável por agiotagem em grande escala em Maceió e em outros municípios do Estado. No total, sete pessoas foram presas, todas naturais da Colômbia.

A operação foi deflagrada no início de março, após cerca de dois meses de investigações da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic). A polícia recebeu denúncias de uma “intensa movimentação de motociclistas” em um prédio na Ponta Verde, que chegavam com mochilas várias vezes ao dia, e sempre demoravam pouco no local.

Com o desenrolar das investigações, foi descoberto que se tratava de uma organização criminosa de agiotagem formada por colombianos, com juros abusivos de 30% a 50%. Os líderes traziam o dinheiro da Colômbia, e faziam os empréstimos através do que o grupo chamava de “rota”. Cada rota tinha um responsável pelos empréstimos e pela cobrança diária.

Segundo a polícia, os líderes da organização eram Jose Leonidas Giraldo Osorio e a esposa, Janeth Campo Rivera. O casal é natural de Santiago de Cali, na Colômbia, e está em Maceió desde 2014. Eles começaram a organização criminosa após comprarem a rota de outro colombiano, que atuava no Jacintinho. Após algum tempo, os dois expandiram as ações para os bairros do Trapiche e Ponta Grossa, atuando também em outros municípios, como São Miguel dos Campos, Teotônio Vilela, Campo Alegre e Maribondo.

Também foram presos Luis Alberto Vasco Giraldo (sobrinho de Leonidas), Julian Andres Zambranco Campo (sobrinho de Janeth), Edwin Alfonso Medina Altamar e a esposa, Sandra Del Pilar Dominguez Sanchez, e Vladimir Hurtado Orejuela, todos responsáveis por “recrutar” clientes e fazer e cobrar os empréstimos.

Cada um dos envolvidos tinha uma moto, computador e aparelho celular, e residiam em imóveis pagos pela organização criminosa. O dinheiro era movimentado internacionalmente através de remessas feitas através de uma empresa chamada Mundial Exchange, usando CPF de terceiros, o que caracterizava também o crime de evasão de divisas.

Os principais alvos do grupo eram taxistas, vendedores ambulantes, pequenos empresários, e estabelecimentos como bares, oficinas e lava jatos.

Foram apreendidas várias planilhas de serviço, extratos bancários, seis motos, dois notebooks, aparelhos celulares vários cartões de crédito mais de R$ 2.500.

*Estagiária sob supervisão da editoria