Equipamento detecta DNA humano em cenas de crime adulteradas

19/08/2017 - 22:08 - Atualizado em 19/08/2017 - 22:08

Imagine um aparelho capaz de identificar DNA humano em cenas de crime que foram adulteradas com produtos de limpeza, ou identificar vestígios de cocaína numa blitz policial no meio da rua. Parece coisa de ficção científica, mas essa é uma realidade muito próxima e que foi desenvolvida pela bióloga Natália Oliveira, em sua pesquisa de doutorado no Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika).

Além de contribuir no combate ao tráfico de drogas, o biossensor (imagem ao lado) também dará celeridade às investigações no caso de crimes violentos, com a redução dos custos e da quantidade de análises laboratoriais.

No trabalho "Desenvolvimento de Biossensores para as Ciências Forenses", orientado pelo professor José Luiz de Lima Filho, e apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Biologia Aplicada à Saúde do Lika, a pesquisadora apresenta uma solução para os testes que são realizados em locais de crime através do uso de biossensores. "Os biossensores foram construídos para identificar moléculas específicas, como sequências de ácidos nucleicos de fluidos corporais humanos e drogas ilícitas, como a cocaína, usando plataformas eletroquímicas", explica Natália.

Segundo a pesquisa, os biossensores podem detectar DNA de amostras biológicas, como sangue, mesmo que tenham sido misturadas com produtos como água sanitária, numa tentativa dos suspeitos de apagar seus vestígios, o que é comum em cenas de crime. Além disso, o uso de sensores holográficos também ajuda a detectar e distinguir a cocaína de outras substâncias ilícitas, usando apenas luz visível como fonte de transdução de sinal. Este último foi parte de sua pesquisa realizada em parceria com o Instituto de Biotecnologia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em 2015.

ETAPAS - A construção do biossensor foi dividida em duas etapas. Na primeira, para a análise de amostras de fluidos corporais, foram feitas análises de bioinformática para determinar qual a sequência de DNA que se conseguiria detectar e distinguir as diferentes amostras biológicas, sendo posteriormente imobilizadas em eletrodos de grafite. Já na segunda etapa, após verificar quais proteínas ligavam-se com a cocaína, foram feitas sínteses químicas que geraram uma molécula com a mesma sensibilidade, isto é, capaz de interagir com a substância ilícita, em que foi sintetizada em uma superfície holográfica.

Na tese, a autora aponta que o mercado mundial de biossensores foi avaliado em US$ 12.455,8 milhões em 2013 como resultado dos investimentos maciços na área, mesmo com os altos gastos para obtenção do produto final. A pesquisa de Natália contou com financiamento da Facepe e uma bolsa sanduíche do CNPq, que possibilitou à pesquisadora um período de intercâmbio em Cambridge. Ainda houve um pequeno período de testes realizados no Laboratório de Genética da Polícia Civil de Pernambuco. 

Entretanto, destaca Natália, "são necessárias mais pesquisas, investimento e integração com outros campos de pesquisa, como Tecnologia da Informação e Engenharia, para que esses equipamentos - semelhantes aos aparelhos utilizados por diabéticos para medir a glicose - possam ir às ruas e, assim, permitir a obtenção de resultados e respostas mais rápidas nas operações policiais.”

Fonte: Agência de Notícias UFPE