Corregedoria vai apurar denúncias de presos contra o 1º BPM por supostas agressões

17/07/2017 - 12:09 - Atualizado em 17/07/2017 - 12:14
PM (Crédito: Arquivo)

A Corregedoria da Polícia Militar de Alagoas vai apurar as acusações de dois suspeitos de assalto, presos em ocorrências este mês, que relataram agressões e até furtos praticados por policiais do 1º Batalhão, com atuação em Maceió.

As denúncias foram feitas em audiências de custódia, realizadas pelo juiz Sóstenes Alex, que decidiu encaminhar, via ofício, os fatos relatados aos órgãos competentes, entre eles, a Corregedoria da PM, o Conselho Estadual de Segurança e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil.

O corregedor, coronel Reinaldo Cavalcante, disse que soube extraoficialmente das denúncias e aguarda a chegada dos ofícios para iniciar a análise e apuração.

A denúncia

De acordo com o juiz Sóstenes Alex, que atua na 2ª e na 17ª Varas Criminais, em uma audiência de custódia há cerca de duas semanas, um homem preso em flagrante relatou ter sido espancado pela guarnição do 1º BPM, comandado pelo major Rocha Lima. O fato chamou atenção do magistrado, que determinou a apuração dos fatos.

Na sexta-feira passada, dia 14, em outra audiência de custódia, a situação se repetiu. Dessa vez, o suspeito André Luiz Albuquerque de Gusmão, de 33 anos, preso por assaltos, relatou ter sido agredido, furtado e até ameaçado de morte. “O preso acusou o major de espancamento e disse que teve dois celulares e um notebook furtados do apartamento dele. Eu verifiquei e ele estava machucado”, declarou em entrevista a um programa de rádio de Maceió.

O TNH1 entrou em contato com o juiz, nesta segunda, mas ele disse que preferia não mais falar sobre o assunto, que virou polêmica em grupos de redes sociais e WhatsApp. Sóstenes Alex apenas confirmou que determinou que fossem oficiados os órgãos competentes para apurar as denúncias.

O juiz também determinou o comparecimento do comandante do batalhão à audiência e disse que apuraria a conduta dos militares. “Sei da postura combativa e operacional do major Rocha Lima, mas não irei tolerar abusos por policiais militares ou civis”, declarou na entrevista à rádio.

Estratégia de defesa

Ouvido pelo TNH1, o major Rocha Lima confirmou já ter conhecimento das denúncias dos presos e classificou as acusações como 'estratégia de defesa'. O comandante do 1º Batalhão disse que os criminosos têm usado a resistência à prisão como uma espécie de tática para provocar uma reação policial.

“A modalidade de defesa do bandido hoje em dia é resistir à prisão. Notadamente, o policial vai ter que usar a força necessária, algemar e conduzir à capsula de retenção. Trata-se de uma estratégia traçada dentro do presídio, para que o policial use da força e gere hematomas. Na audiência, ele diz que foi espancado”, alegou o major.

Ele negou a acusação de furto feita por André Luiz Albuquerque e apontou a cópia do flagrante e o termo de resistência à prisão como provas da conduta policial.

Rocha Lima ainda declarou que André seria um bandido de alta periculosidade. “Ele é envolvido em vários assaltos em Maceió, em homicídio, tinha um plano de assalto de grande monta a uma empresa de ônibus, que renderia 400 mil reais”, citou. “Com isso, perde a sociedade, porque o magistrado fica sensibilizado. A estratégia é inverter os valores”, finalizou.