Operação Echelon: polícias de Alagoas e SP miram integrantes de facção criminosa no interior

14/06/2018 - 12:07 - Atualizado em 14/06/2018 - 12:08

A Polícia Civil de Alagoas, em apoio a uma ação da Polícia Civil de São Paulo, cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

O trabalho faz parte da operação Echelon, que conta também com o Ministério Público de São Paulo, para localizar envolvidos nas ramificações interestaduais da facção criminosa. Trata-se do setor conhecido como Resumo dos Estados, subordinado diretamente à cúpula da organização.

Os mandados foram cumpridos em Alagoas nas cidades de Arapiraca e Capela, mas os alvos da operação não foram localizados. Também não foi apreendido nenhum material, segundo informações da Polícia Civil alagoana.

Participaram da ação o delegado Fabrício Nascimento e o núcleo de Inteligência da Delegacia Geral.

Total de integrantes do PCC fora de São Paulo cresceu 6 vezes em quatro anos

Ao todo, os policiais cumpriram 59 mandados de busca e apreensão em 14 Estados. A Justiça decretou ainda prisão preventiva de 75 acusados, todos apontados como integrantes da facção.

As investigações começaram em junho de 2017, quando o líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, estava isolado pela sexta vez no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), no presídio de Presidente Bernardes, na região oeste do Estado. É por isso que Marcola, condenado a 332 anos de prisão por diversos crimes, por enquanto, não figura entre os acusados que tiveram a prisão decretada pela Justiça neste caso.

As investigações feitas pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior -8 (Deinter-8), de Presidente Prudente, e pelo grupo de Atuação especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPE, mostraram como a cúpula do grupo mantém contato com bandidos em outros Estados, atuando nos tráficos de armas e drogas.

Nos últimos quatro anos, o total de integrantes do PCC espelhados fora de São Paulo cresceu 6 vezes, passando de 3 mil para pouco mais de 20 mil em 2018. A facção, que em São Paulo conta com 10,9 mil integrantes, está presente ainda em cinco países da América do Sul – Bolívia, Colômbia, Guiana, Paraguai e Peru.

A expansão do PCC pelo país levou à reação de gangues locais, que se aliaram ao Comando Vermelho, iniciando uma guerra que atinge principalmente os Estados do Norte e do Nordeste do País. Depois de São Paulo, os estados que concentram o maior número de integrantes do PCC são, de acordo com o Gaeco, Paraná (2.829), Ceará (2.582) e Minas (1.432). Foi justamente em Minas que na semana passada a facção determinou a realização de uma série de atentados contra ônibus e ataques contra postos policiais.

Fonte: Com Estadão