‘Deve ter fantasma lá’, disse Temer a Joesley sobre o Alvorada

19/05/2017 - 09:11 - Atualizado em 19/05/2017 - 09:30
(Crédito: Reprodução / Estadão)

Em gravação feita pelo dono do Grupo JBS, Joesley Batista, o presidente Michel Temer descreveu as noites de insônia no Palácio da Alvorada, onde ficou por apenas uma semana. Após relatar que ‘não conseguiu dormir’, o peemedebista disse ter perguntado a Marcela Temer, em uma das noites: “vamos voltar ao Jaburu?”.

“Deve ter fantasma lá”, afirmou o presidente a Joesley Batista.

“Como é que a Dilma aguentava ficar sozinha lá?”, replicou o empresário.

O diálogo sobre as assombrações do Alvorada surgiu no fim da conversa, quando, Joesley se preparava para se despedir.

Em março de 2017, uma semana depois de ter se mudado para o Palácio da Alvorada, Temer, a primeira-dama Marcela e o filho Michelzinho, de sete anos, voltaram a morar no Jaburu depois de a família passar o Carnaval na Base Naval de Aratu (BA). A atitude causou polêmica já que, para o peemedebista se instalar no Alvorada com a mulher e o filho, foi necessária uma reforma.

Durante a mesma conversa, o presidente Michel Temer supostamente dá aval para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato. A conversa com Temer teria ocorrido no dia 7 de março deste ano, no Palácio do Jaburu, residência do presidente.

No diálogo, Joesley teria dito ao peemedebista que estava pagando uma mesada a Cunha e a Lúcio Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara, também preso na Lava Jato, para que ambos ficassem em silêncio sobre irregularidades envolvendo aliados. “Tem que manter isso, viu?”.

Joesley falou a Temer sobre a compra do procurador Ângelo Goulart Villela, para quem ele confessa ter pago R$ 50 mil por mês para vazar investigações. Villela é integrante da equipe do vice-procurador geral eleitoral, Nicolau Dino, e recentemente estava cedido à força-tarefa das operações Greenfield, Cui Bono e Sépsis, que apura crimes relacionados à JBS. O procurador teria tido encontros com representantes da JBS sem comunicar aos colegas.

Fonte: Estadão