Wesley Batista, irmão do Joesley, foi preso pela Polícia Federal

13/09/2017 - 07:56 - Atualizado em 13/09/2017 - 07:59
(Crédito: Estadão)

O empresário Wesley Batista, irmão mais velho do Joesley Batista, foi preso na manhã desta quarta-feira (13), em São Paulo. Wesley é o atual presidente das empresas do Grupo JBS. Ele estava em sua casa em São Paulo e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal na Lapa, na zona Oeste da capital.

A prisão de Wesley acontece três dias após a prisão temporária de Joesley, no último domingo, junto com o executivo Ricardo Saud. Agora, os dois irmãos vão aguardar presos os desdobramentos das investigações.

O ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal) , determinou a prisão dos irmãos Batistas atendendo ao pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Essa série de prisões começou após a divulgação do áudio de uma conversa entre Joesley e Saud, no qual eles abordam fatos que teriam omitido do acordo, o que viola as regras da colaboração premiada.

Na gravação, os delatores citam Marcelo Miller como um contato dentro da Procuradoria-Geral da República que facilitaria a delação.

Entenda o caso

O empresário Joesley Batista, um dos acionistas do frigorífico JBS e um dos maiores doadores de campanhas eleitorais no Brasil, fechou acordo de delação premiada com a PGR em maio, quando entregou aos investigadores da força-tarefa da Lava Jato o áudio de uma conversa entre ele e o presidente Michel Temer.

Em troca das informações, Joesley e outros executivos da J&F receberam o benefício da imunidade penal, ou seja, eles não seriam presos.

Mas para o acordo continuar valendo, os delatores se comprometeram a entregar, até 31 de agosto, novos documentos que comprovassem as acusações feitas — entre elas a de que a J&F teria feito doações a mais de 1.800 políticos.

Nos documentos entregues, havia um áudio, gravado em 17 de março deste ano, em que Saud e Joesley conversam sobre o ex-procurador da República Marcelo Miller, que na data ainda trabalhava no Ministério Público Federal — após se desligar do MPF, em abril, ele foi contratado pelo escritório de advocacia que cuidou do acordo de leniência da J&F (a delação premiada das empresas).

Com a suspeita de que Miller teria aconselhado os executivos em meio às negociações de delação premiada, Janot anunciou na segunda-feira (4) a revisão dos acordos de Joesley, Saud e também do advogado Francisco de Assis e Silva, diretor jurídico da J&F. Na quinta e na sexta-feira, os três executivos prestaram esclarecimentos à PGR, além do ex-procurador Miller.

No sábado (9), a defesa dos delatores solicitou audiência com o ministro Fachin, antes de o magistrado decidir sobre a prisão, e colocou os passaportes dos executivos à disposição da Justiça, num esforço para demonstrar que os acusados não iriam fugir do País. O encontro com o ministro do STF acabou não acontecendo.

Fonte: R7