2026 deve ser último ano de crescimento da população de Alagoas e Rio Grande do Sul antes de queda, prevê IBGE

Publicado em 03/01/2026, às 10h40
Imagem de arquivo - Arquivo Fecomércio

Leonardo Vieceli / Folhapress

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Em 2026, dois estados brasileiros devem registrar o último ano de crescimento da população antes de uma sequência de queda no número de habitantes, segundo as projeções mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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São os casos de Alagoas e Rio Grande do Sul. Nos dois locais, a população tende a cair a partir de 2027, indica o instituto.

Caso as estimativas se confirmem, alagoanos e gaúchos irão antecipar um movimento que deve ocorrer mais tarde nas outras unidades da Federação.

O IBGE espera que o número de habitantes do Brasil cresça até 2041, passando a cair em 2042, em um contexto de redução da natalidade e avanço do envelhecimento.

As projeções constam em uma revisão de cenário publicada em agosto de 2024. As estimativas levam em conta dados do Censo Demográfico 2022 e de outras fontes. O horizonte analisado vai de 2000 a 2070.

Em Alagoas, a população é estimada em 3,2 milhões em 2026. O IBGE prevê acréscimo de apenas 280 moradores em relação a 2025.

Com a queda aguardada a partir de 2027, o número de habitantes do estado tende a ficar abaixo de 2,7 milhões em 2070, último ano das estimativas. Caso o quadro se confirme, Alagoas terá uma baixa de 17% em relação ao pico de 2026 —ou menos 548,3 mil pessoas.

No Rio Grande do Sul, a população é projetada em 11,2 milhões neste ano. O IBGE espera um leve acréscimo de 54 habitantes ante 2025, quase estabilidade.

Como o contingente deve encolher a partir de 2027, o estado tende a chegar a 2070 com 9,1 milhões de pessoas. A redução aguardada é de quase 19% ante o pico de 2026 —ou 2,1 milhões a menos.

Como são projeções, os números podem se confirmar ou não com o passar dos anos.
No caso gaúcho, o gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, Marcio Minamiguchi, diz que as estimativas ainda não captam eventuais reflexos das enchentes históricas de 2024.

Para incorporar possíveis mudanças no cenário e calibrar os números, o instituto faz revisões ao longo do tempo. A mais recente atualizou, em agosto de 2024, projeções publicadas em 2018.

O QUE EXPLICA OS NÚMEROS?

O fim do crescimento e o início da queda no Rio Grande do Sul estão associados em parte ao envelhecimento da população, segundo Minamiguchi.

Em 2026, espera-se que 21,8% dos moradores do estado tenham 60 anos ou mais. Trata-se da maior proporção de idosos do país. O percentual estimado no Brasil é de 17,1%.

"Em um estado mais velho, a população vai ter, em média, mais óbitos", resume.
Os gaúchos ainda sentem o impacto de um histórico de migração para outras regiões do país. Isso apareceu no Censo.

Conforme a pesquisa, o Rio Grande do Sul perdeu 77,8 mil moradores em processos migratórios dentro do Brasil no período de 31 de julho de 2017 a 1º de agosto de 2022. O saldo negativo é a diferença entre a entrada de 134,7 mil e a saída de 212,5 mil.

A migração também é um dos motivos que explicam as projeções de Alagoas. O estado nordestino perdeu 42,6 mil habitantes em processos do tipo no período investigado pelo último Censo. O número refletiu a entrada de 74,8 mil e a saída de 117,4 mil.

"A migração tira pessoas em idade reprodutiva da população", diz Minamiguchi. Segundo o pesquisador, o fato de Alagoas ter uma das menores áreas territoriais do país pode facilitar o fluxo de saída.

O técnico ainda chama atenção para outro resultado do Censo. Conforme a pesquisa, Alagoas teve o menor crescimento populacional do país no período de 2010 a 2022. A alta foi de apenas 0,2%.

O estado nordestino não escapa do processo de envelhecimento ocorrido no Brasil. Em 2000, 7,2% da população de Alagoas tinha 60 anos ou mais, proporção que deve alcançar 14,6% em 2026 e 38,6% em 2070.

O QUE DIZEM AL E RS?

O processo de envelhecimento impõe desafios sociais, econômicos e fiscais, sobretudo na previdência, que depende de uma base contributiva suficiente para assegurar o pagamento das aposentadorias a gerações idosas, diz em nota Juliana Carla da Silva Santos, superintendente de informações e cenários da Secretaria do Planejamento, Gestão e Patrimônio de Alagoas.

"As mudanças demográficas têm um impacto significativo nas prioridades de políticas públicas em Alagoas, assim como em outros estados. Estamos atentos e nos preparando para lidar com essa realidade."

Entre as ações do governo estadual, Juliana cita o projeto de construção de um hospital do idoso, bem como a ampliação de centros de cuidado voltados a esse público.

"Tais investimentos visam ampliar a oferta de serviços especializados e promover maior proteção social à população que mais demanda cuidados contínuos."

Já a Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul afirma que as projeções de declínio populacional e envelhecimento são consequência, principalmente, da redução da fecundidade.

"Dentre os principais desafios, está a pressão sobre as despesas obrigatórias, como os gastos com a previdência, a saúde e a dívida pública", diz em nota.

"Por isso, a responsabilidade fiscal é essencial. Nesse sentido, em 2020, o RS realizou a mais profunda reforma previdenciária e administrativa do Brasil, incluindo civis e militares, o que reduziu o déficit previdenciário que era de 30,4% da Receita Corrente Líquida em 2019 para 16,3% em 2024", acrescenta.

Por outro lado, na visão do governo gaúcho, a transição demográfica também pode gerar benefícios. Um exemplo citado é a possibilidade de planejamento urbano "mais equilibrado", com menor pressão do crescimento populacional.

"Além disso, a diminuição da população entre 15 e 29 anos tende a contribuir para a redução dos índices de criminalidade, já que homens nessa faixa etária concentram a maior participação em ocorrências", aponta a secretaria.

QUAL É O CENÁRIO NO BRASIL E EM OUTRAS UFS?

Segundo o IBGE, o número de habitantes do Brasil deve crescer até o pico de 220,4 milhões em 2041 e, depois, tende a encolher.

O órgão espera que a redução comece em 2042 e se intensifique nas décadas seguintes, levando o contingente nacional para menos de 200 milhões em 2070 (199,2 milhões).

Após Alagoas e Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro deve alcançar um pico populacional em 2027 (17,2 milhões), passando a cair a partir de 2028.

Em São Paulo, o primeiro ano de redução é aguardado para a década seguinte, em 2037.

Pelas previsões do IBGE, Mato Grosso tende a ser o último estado a mostrar recuo, somente após 2070. Santa Catarina e Roraima também devem vivenciar isso mais tarde, a partir de 2064.

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