5 impactos da menopausa na saúde ginecológica da mulher

Publicado em 17/06/2026, às 16h00
- O acompanhamento médico permite diagnosticar precocemente possíveis doenças e orientar tratamentos que ajudam a reduzir os sintomas (Imagem: Pixel-Shot | Shutterstock)

Redação EdiCase

A menopausa é um marco natural na vida da mulher, caracterizado pela interrupção definitiva da menstruação após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais, resultado da redução da produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários. Embora seja mais conhecida pelos sintomas como ondas de calor, alterações de humor e distúrbios do sono, essa fase também provoca mudanças importantes em diversos aspectos da saúde ginecológica feminina.

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“A menopausa representa uma transição biológica importante, resultado da redução progressiva da produção de hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Esse processo, que geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos, faz parte do climatério e desencadeia uma série de mudanças no organismo feminino, com impacto não apenas reprodutivo, mas também metabólico, emocional e, de forma bastante significativa, na saúde feminina”, explica o Dr. Nélio Veiga Junior, ginecologista pós-doutorando em saúde sexual e reprodutiva, com foco em saúde hormonal e qualidade de vida da mulher no climatério.

Abaixo, entenda os principais impactos da menopausa na saúde ginecológica da mulher.

1. Síndrome geniturinária

Entre os principais problemas ginecológicos associados à menopausa, destaca-se a chamada síndrome geniturinária, um conjunto de alterações causadas pela queda hormonal. “A diminuição do estrogênio torna o tecido vaginal mais fino, menos elástico e menos lubrificado, levando à secura vaginal, ardência, infecção urinária de repetição, coceira e dor durante a relação sexual, condição conhecida como dispareunia. Essas mudanças podem afetar diretamente a qualidade de vida e a saúde sexual da mulher, muitas vezes impactando também sua autoestima e relações afetivas”, diz o Dr. Nélio Veiga Junior.

Falar sobre a síndrome geniturinária ainda é um tabu. “Apesar da alta prevalência da síndrome geniturinária e de seu profundo impacto na qualidade de vida, muitas mulheres não falam sobre o assunto e não buscam ajuda, seja por vergonha, falta de informação ou por acreditarem que os sintomas são uma consequência natural e inevitável do envelhecimento. O resultado é o sofrimento em silêncio com uma condição que tem diversas opções de tratamento”, explica o ginecologista Dr. Igor Padovesi, autor do livro ‘Menopausa Sem Medo’ (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do ‘Expert em Menopausa’, plataforma de educação médica em menopausa.

Para o tratamento, a conduta deve ser individualizada. “A terapia com estrogênio local (cremes, comprimidos ou anéis vaginais) é considerada padrão-ouro para restaurar a mucosa vaginal, melhorar a lubrificação e reduzir sintomas como secura e dor. Para mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios, hidratantes vaginais de uso regular e lubrificantes durante a relação são boas alternativas. Em alguns casos, tecnologias como laser vaginal ou radiofrequência podem ser indicadas, embora ainda com evidências em evolução”, diz o Dr. Nélio Veiga Junior.

2. Alterações urinárias

Outro ponto de atenção são as alterações urinárias. Segundo o Dr. Nélio Veiga Junior, a proximidade anatômica e funcional entre os sistemas genital e urinário faz com que a atrofia dos tecidos também aumente a frequência urinária, a sensação de urgência, quadros de incontinência e a predisposição a infecções urinárias recorrentes.

“As queixas urinárias podem ser manejadas com uma combinação de estratégias. A fisioterapia do assoalho pélvico é uma das principais abordagens, ajudando no controle da incontinência e na melhora da função muscular. O uso de estrogênio vaginal contribui para a saúde da uretra e da bexiga. Em casos específicos, medicamentos para controle da bexiga hiperativa ou até procedimentos minimamente invasivos podem ser considerados”, explica o médico.

Durante a menopausa, infecções vaginais podem se tornar mais comuns (Imagem: Premreuthai | Shutterstock)

3. Infecções vaginais

Conforme o Dr. Nélio Veiga Junior, durante a menopausa, o desequilíbrio do pH vaginal, provocado pela redução hormonal, favorece o surgimento de infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana. Segundo ele, com a queda do estrogênio, há redução dos lactobacilos, bactérias “protetoras” da flora vaginal, e diminuição do glicogênio nas células vaginais, o que torna o ambiente menos ácido e mais suscetível à proliferação de microrganismos.

“Como consequência, podem surgir sintomas como corrimento, odor desagradável, coceira e ardência, além de maior recorrência dos quadros, especialmente em mulheres que já têm predisposição. O diagnóstico correto é essencial, já que cada tipo de infecção exige um tratamento específico e, em alguns casos, pode ser necessário associar terapias que ajudem a restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal”, explica o ginecologista.

Segundo o Dr. Nélio Veiga Junior, para o tratamento, antifúngicos são indicados nos casos de candidíase, enquanto antibióticos são recomendados para tratar a vaginose bacteriana. “Além disso, estratégias para restaurar o equilíbrio da microbiota vaginal ganham espaço, como o uso de probióticos e, em alguns casos, estrogênio local para melhorar o ambiente vaginal. Orientações comportamentais também fazem diferença, como evitar duchas vaginais e produtos irritantes, controle da disbiose e regular hábito intestinal”, acrescenta.

4. Sangramentos uterinos irregulares

Durante o período de transição para a menopausa, é comum que ocorram sangramentos irregulares, com mudanças no fluxo e na duração dos ciclos menstruais. “No entanto, após a menopausa já estabelecida, qualquer sangramento deve ser encarado como um sinal de alerta e investigado, pois pode estar associado a condições mais graves”, alerta o Dr. Nélio Veiga Junior.

O médico explica que, durante o climatério, os sangramentos podem ser controlados com terapias hormonais, como anticoncepcionais de baixa dose, dependendo do perfil da paciente. “Após a menopausa, qualquer sangramento deve ser investigado com exames como ultrassonografia transvaginal e, se necessário, biópsia endometrial. O tratamento varia conforme a causa, podendo incluir desde ajuste hormonal até intervenções cirúrgicas”, completa.

5. Disfunção sexual

Outro problema frequente nessa fase é a disfunção sexual, que resulta não apenas das alterações físicas, como a secura vaginal, mas também de fatores hormonais e emocionais que influenciam o desejo e o prazer. “Apesar de comuns, esses sintomas não devem ser naturalizados como algo que a mulher precisa simplesmente aceitar”, afirma o Dr. Nélio Veiga Junior.

Durante a menopausa, a mulher pode ter mais dificuldade para atingir o orgasmo. “A intensidade das sensações prazerosas diminui nessa fase, a resposta orgástica é mais lenta e menos intensa. Uma série de fatores pode prejudicar a libido na menopausa, mas temos, principalmente, uma questão hormonal. A queda nos níveis hormonais prejudica o desejo e a resposta sexual”, pontua o Dr. Igor Padovesi.

A abordagem, nesse caso, costuma ser multifatorial. “O uso de estrogênio vaginal ajuda a reduzir dor e desconforto, enquanto lubrificantes facilitam a relação. Em alguns casos, pode-se considerar terapia hormonal sistêmica, quando indicada. Além disso, acompanhamento com terapia sexual ou psicológica pode ser essencial, já que fatores emocionais, autoestima e qualidade do relacionamento também influenciam diretamente a resposta sexual nessa fase”, diz o Dr. Nélio Veiga Junior.

Por fim, os médicos ressaltam que o acompanhamento médico é fundamental para garantir mais conforto, bem-estar e qualidade de vida durante essa fase.

Por Maria Claudia Amoroso

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