Redação EdiCase
Dados recentes coletados em levantamento da CB Insights, plataforma global de inteligência de mercado sobre startups e inovação, revelam que escalar sem estrutura segue sendo uma das principais causas de falência de empresas no contexto global. A pesquisa demonstra, por exemplo, que 38% das startups fecham por falta de caixa e 42% por ausência de demanda real, problemas que se agravam quando as iniciativas empresariais crescem antes de organizar sua operação.
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No Brasil, o alerta é ainda mais contundente: mais de 8 mil startups encerraram atividades na última década, muitas delas após ciclos de expansão sem governança adequada, de acordo com estudo promovido pela Distrito, empresa especializada no ecossistema de inovação e tecnologia.
O cenário sugere uma tendência em que empresas conseguem escalar rapidamente, mas nem sempre acompanham esse ritmo com processos, gestão e governança adequados. A expansão sem bases estruturais, portanto, pode gerar efeitos adversos, como aumento de custos, retrabalho e dificuldades na tomada de decisão, conforme explica Rodrigo Baraldi, advogado, conselheiro estratégico de M&A e autor do livro “365 dias para se tornar o dono que sua empresa precisa”.
Em sua experiência com empresas de diferentes setores, Rodrigo Baraldi observa que muitos negócios atingem novos patamares de receita sem que o dono ou a gestão tenham adaptado processos, funções e estruturas internas para acompanhar esse avanço. Com base nesse contexto, existem sinais que indicam quando o crescimento pode estar ocorrendo sem controle adequado. Confira!
Empresas em expansão desordenada apresentam dificuldade em responder perguntas básicas sobre margens, custos e geração de caixa. A falta de controle financeiro estruturado transforma o crescimento em um processo de tentativa e erro.
Quando o aumento da receita não vem acompanhado de processos claros, retrabalho, erros e crises operacionais tendem a crescer. A produtividade cai e os custos se tornam mais difíceis de controlar.
Negócios que permanecem centralizados no fundador, mesmo com crescimento, podem se tornar menos eficientes. Ausência de delegação e papéis pouco definidos podem comprometer a capacidade de execução e de resposta rápida às demandas do mercado.
Crescer sem validar processos ou consolidar o product-market fit, ou seja, a aderência do produto à demanda real, pode transformar cada novo cliente em custo adicional. A expansão baseada apenas em percepção de mercado pode gerar inconsistências na operação e na experiência do cliente.
Conflitos entre sócios, decisões informais e falta de regras claras tendem a surgir em momentos de crescimento acelerado. A ausência de estrutura jurídica e de governança pode comprometer o valor do negócio e reduzir o interesse de investidores.
Segundo o advogado Rodrigo Baraldi, esses sinais indicam que a empresa está em um estágio em que crescimento e estrutura precisam caminhar juntos. Dados de mercado reforçam que crescimento sem controle não é raro, e que a capacidade de organizar processos internos, definir funções e acompanhar indicadores financeiros é determinante para a sustentabilidade do negócio.
Por Milena Almeida
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