Redação EdiCase
A baixa produtividade nem sempre está ligada à ausência de tempo, organização ou competência técnica. Em muitos casos, a dificuldade está na forma de pensar, em como a pessoa entende as situações, lida com a pressão e reage às tarefas do dia a dia. Esses padrões, geralmente automáticos, criam bloqueios que gastam energia, aumentam a procrastinação e reforçam a sensação de cansaço.
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Para a psicóloga Zora Viana, fundadora da Universidade Corporativa FEX, entender esses mecanismos é essencial para quem busca mais clareza, foco e resultados sustentáveis. “A produtividade não é apenas uma questão de agenda, é uma questão emocional e cognitiva. A forma como pensamos influencia diretamente a maneira como agimos ou deixamos de agir”, explica.
A seguir, confira sete padrões de pensamento que, segundo a especialista, costumam minar a produtividade no dia a dia.
O perfeccionismo paralisa mais do que impulsiona. Quando a pessoa acredita que só pode entregar algo se estiver impecável, ela adia decisões, evita começar tarefas e se sobrecarrega emocionalmente. “O perfeccionismo está muito ligado ao medo de errar e de ser julgado. Ele consome tempo e energia que poderiam estar sendo usados para avançar”, afirma Zora Viana.
A ideia de que o melhor desempenho acontece apenas no limite leva à procrastinação recorrente. A pessoa adia tarefas até o último momento, vive em estado de urgência e desgaste constante. “Esse padrão cria picos de estresse e queda de rendimento no médio prazo. O cérebro entra em modo de sobrevivência, não de performance saudável”, explica.
Viver com a percepção de que nunca dá tempo gera ansiedade e desorganização mental. Esse pensamento impede o foco no presente e faz com que a pessoa pule de tarefa em tarefa sem concluir nada. “Quando tudo parece urgente, nada é feito com qualidade. O excesso de pressa rouba a clareza”, observa a psicóloga.
Frases internas como “não sou bom o suficiente” ou “isso é difícil demais para mim” minam a autoconfiança e levam à evitação de tarefas importantes. “Esse padrão cria uma barreira emocional antes mesmo da tentativa. A pessoa desiste mentalmente antes de começar”, destaca Zora Viana.
A crença de que é preciso dar conta de tudo e agradar a todos leva ao acúmulo de demandas e à perda de foco no que é prioritário. “Produtividade também é saber escolher. Quem não estabelece limites vive apagando incêndios que não são seus”, afirma a especialista.
Comparar o próprio ritmo com o dos outros gera frustração, sensação de inadequação e desmotivação. “Cada pessoa tem processos, contextos e momentos diferentes. A comparação constante distorce a percepção de progresso e enfraquece a autoconfiança”, explica Zora Viana.
Ignorar pausas e autocuidado compromete diretamente a produtividade. O cérebro precisa de intervalos para manter o foco e a criatividade. “Descanso não é recompensa, é estratégia. Quem não pausa, quebra”, reforça a psicóloga.
Zora Viana destaca que identificar esses padrões é o primeiro passo para transformá-los. “Quando a pessoa começa a observar seus pensamentos, ela deixa de agir no automático. A produtividade saudável nasce da consciência, não da cobrança excessiva”, conclui.
Por Sarah Monteiro
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