Redação EdiCase
A busca por alternativas rápidas para perda de peso ganhou força com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos à base de semaglutida, que passaram a ocupar espaço tanto nas redes sociais quanto nos consultórios. Em 2025, o uso delas cresceu 88% em relação ao ano anterior, conforme o Conselho Federal de Farmácia. No entanto, focar apenas esse tipo de recurso pode limitar resultados e desconsiderar abordagens mais amplas e consistentes.
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Afinal, o emagrecimento saudável e duradouro não depende de soluções isoladas. Inclusive, existem outras estratégias eficazes, com respaldo científico, que muitas vezes são deixadas de lado. Segundo a Dra. Diana Sá, médica e professora da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Brasília, as medicações podem até ter um papel importante em alguns casos, mas não substituem uma abordagem integral. “Não existe solução mágica. A medicação pode ajudar, mas precisa estar inserida em um contexto de cuidado integral, individualizado e baseado em evidências”, afirma.
A endocrinologista explica que as “canetas emagrecedoras” atuam reduzindo o apetite e aumentando a saciedade, mas reforça que elas não são indicadas para todos. “Esses medicamentos não devem ser encarados como um atalho para o emagrecimento nem como solução estética. Eles têm indicações específicas e exigem avaliação criteriosa e acompanhamento contínuo”, destaca.
Nesse cenário, cresce a preocupação também do ponto de vista da saúde pública. O uso indiscriminado dessas medicações, inclusive por pessoas sem indicação clínica, pode desviar o foco de estratégias mais acessíveis, sustentáveis e fundamentais no enfrentamento da obesidade, uma doença crônica e multifatorial.
Entre as principais abordagens para um emagrecimento sustentável, estão mudanças no estilo de vida e o acompanhamento multiprofissional. A reeducação alimentar, a prática regular de atividade física e o cuidado com aspectos emocionais e comportamentais seguem como pilares do tratamento. “Muitas pessoas comem por ansiedade, estresse ou hábito. Por isso, olhar para o comportamento alimentar e para a saúde mental é parte essencial do processo”, explica a Dra. Diana Sá.
Além disso, fatores como qualidade do sono e controle do estresse têm impacto direto no peso. Dormir mal e viver sob estresse constante alteram hormônios ligados ao apetite, favorecendo o ganho de peso e dificultando o emagrecimento. Para a médica, o caminho mais eficaz continua sendo o das mudanças sustentáveis. “Pequenas mudanças consistentes, como melhorar a alimentação, se movimentar mais e cuidar da saúde mental, tendem a gerar resultados mais duradouros do que soluções rápidas”, afirma.
Embora os medicamentos injetáveis para perda de peso tenham ganhado grande popularidade, existem outras estratégias eficazes e cientificamente reconhecidas para o controle do peso. Algumas alternativas apontadas pela endocrinologista são:
A reeducação alimentar com orientação de nutricionista ou médico é uma estratégia eficaz para promover saúde e controle do peso. Priorizar uma dieta equilibrada, rica em alimentos in natura, com boa ingestão de proteínas e fibras e menor consumo de ultraprocessados, favorece a saciedade, o equilíbrio metabólico e o controle da glicemia, além de ajudar a reduzir episódios de compulsão alimentar. O planejamento das refeições, com horários regulares e sem longos períodos de jejum, também contribui para evitar exageros e picos de fome.
Exercícios aeróbicos combinados com treinamento de força ajudam na redução de gordura corporal e na preservação da massa muscular, além de melhorar a sensibilidade à insulina e o gasto energético.
Muitas pessoas comem por ansiedade, estresse ou hábito. A terapia cognitivo-comportamental e o acompanhamento psicológico podem ajudar a identificar gatilhos e desenvolver uma relação mais equilibrada com a comida.
Dormir mal altera hormônios relacionados ao apetite, como grelina e leptina, aumentando a fome e a preferência por alimentos calóricos.
O estresse crônico eleva o cortisol, hormônio que pode favorecer o acúmulo de gordura abdominal e estimular a alimentação emocional.
Em alguns casos, endocrinologistas podem indicar medicamentos aprovados para obesidade que não são injetáveis, sempre após avaliação clínica.
A perda de peso saudável envolve avaliação metabólica, investigação de doenças associadas (como resistência à insulina, hipotireoidismo ou síndrome metabólica) e acompanhamento a longo prazo.
Pequenas mudanças consistentes, como cozinhar mais em casa, reduzir bebidas açucaradas e aumentar o nível de atividade diária, tendem a gerar resultados mais duradouros do que soluções rápidas.
Por Beatriz Felicio
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