Do jornalista Keyler Simões, em seu blog:
"O carnaval de rua em Maceió e nos municípios de Alagoas é muito mais do que festa e alegria. Trata-se de uma complexa e dinâmica cadeia produtiva que movimenta diversos setores da economia criativa, gera emprego e renda, fortalece identidades culturais e impulsiona o turismo local.
1. Criação e Organização: o ponto de partida
A cadeia começa meses antes do carnaval. No centro desse processo estão:
Produtores culturais
Dirigentes de blocos e agremiações
Associações culturais
Artistas populares e mestres da cultura
É nessa etapa que surgem os projetos, os temas, os figurinos, os ensaios e a captação de recursos — seja por meio de editais públicos, patrocínios privados ou apoios institucionais. A organização envolve autorizações junto aos órgãos públicos, planejamento de segurança, logística, divulgação e articulação com comunidades.
Em bairros tradicionais como Jaraguá, Pontal da Barra, Vergel do Lago e nos municípios do interior, o carnaval se constrói coletivamente, mobilizando moradores, costureiras, músicos e lideranças comunitárias.
2. Produção Artística e Cultural
O coração da cadeia produtiva está nos artistas e grupos culturais:
Orquestras de frevo
Bandas de axé e pagode
Grupos de coco de roda
Maracatus e bois
Blocos tradicionais e alternativos
DJs e artistas independentes
Cada apresentação envolve músicos, técnicos de som, iluminadores, roadies, figurinistas e coreógrafos. O carnaval ativa também tradições da cultura popular alagoana, aproximando o espetáculo da identidade local.
3. Serviços e Infraestrutura
Uma das partes mais robustas da cadeia é a de serviços. Entre os principais segmentos impactados estão:
Montagem de palcos e estruturas metálicas
Locação de som, iluminação e geradores
Segurança privada
Brigadistas e equipes médicas
Banheiros químicos
Transporte e logística
Designers, gráficas e comunicação visual
Empresas locais se fortalecem nesse período, ampliando equipes e contratando temporariamente trabalhadores autônomos.
4. Economia Informal e Microempreendedores
O carnaval de rua também é um importante motor para a economia informal:
Ambulantes
Vendedores de bebidas e comidas típicas
Artesãos
Costureiras
Maquiadores e aderecistas
Motoristas por aplicativo
Para muitos trabalhadores, o carnaval representa uma das principais oportunidades de renda do ano. Em diversas cidades do interior de Alagoas, o período carnavalesco impacta diretamente o comércio local.
5. Turismo e Rede Hoteleira
O carnaval fortalece a imagem de Maceió como destino turístico. A ocupação hoteleira cresce significativamente durante o período festivo, beneficiando:
Hotéis e pousadas
Restaurantes e bares
Agências de turismo
Guias turísticos
Além do turista tradicional, há o visitante cultural, interessado nos blocos tradicionais, nas manifestações populares e na experiência comunitária do carnaval de rua.
6. Impacto Econômico e Social
A cadeia produtiva do carnaval de rua gera:
Empregos temporários
Circulação de capital local
Fortalecimento da economia criativa
Inclusão social por meio da cultura
Valorização da identidade alagoana
Mais do que números, o carnaval promove autoestima coletiva. Ele reafirma pertencimento, tradição e criatividade, sobretudo nas periferias e nos bairros históricos.
7. Desafios Estruturais
Apesar de sua força econômica e simbólica, o setor ainda enfrenta desafios:
Falta de planejamento anual contínuo
Dependência excessiva de recursos públicos pontuais
Necessidade de profissionalização da gestão
Carência de dados oficiais consolidados sobre impacto econômico
A consolidação do carnaval como política cultural estruturante pode ampliar seus resultados, garantindo previsibilidade e sustentabilidade à cadeia produtiva.
Conclusão
O carnaval de rua em Maceió e em Alagoas é um ecossistema econômico-cultural que integra arte, tradição, empreendedorismo e turismo. Ele mobiliza centenas de profissionais diretos e indiretos, transforma bairros em palcos e reafirma a potência criativa do povo alagoano.
Investir na cadeia produtiva do carnaval não é apenas financiar festa — é fortalecer desenvolvimento, gerar renda e preservar a cultura como instrumento estratégico de crescimento social e econômico."