Registros bancários também registram que Lulinha realizou transferências que somam R$ 750 mil ao empresário Kalil Bittar, alvo de apuração da Polícia Federal por suposta atuação de lobby no Ministério da Educação.
Os registros indicam que os pagamentos ocorreram entre janeiro de 2024 e outubro do ano passado, com transferências de R$ 50 mil por mês. O último repasse identificado ocorreu em 27 de outubro de 2025.Pouco tempo depois, Bittar passou a figurar entre os investigados em operação da PF que apura suspeitas de intermediação irregular de recursos públicos vinculados a programas educacionais.
Do total de R$ 19 milhões transacionado por Lula, metade – R$ 9,66 milhões – corresponde a valores creditados na conta. A outra metade foi transferida para contas de terceiros. O maior volume de movimentação ocorreu em 2024, quando R$ 7,2 milhões circularam pela conta. Em 2025, o montante recuou para R$ 3,3 milhões. Até 30 de janeiro de 2026, as transações somavam R$ 205.455,96.
O perfil das operações levou investigadores a classificar a conta como de natureza predominantemente financeira. A maior parte dos créditos tem origem nas próprias empresas de Lulinha, em rendimentos de aplicações e em transferências de pessoas físicas.
As duas companhias ligadas a Lulinha aparecem como as principais fontes de recursos no período analisado. A LLF Tech Participações transferiu R$ 2,37 milhões para a conta, enquanto a G4 Entretenimento e Tecnologia respondeu por R$ 772 mil. O restante dos créditos veio, em sua maioria, de rendimentos de aplicações financeiras em nome do próprio empresário.
Os investigadores ressaltam que a conta identificada representa apenas uma parte do patrimônio financeiro sob análise. Outras contas bancárias – tanto em nome da pessoa física quanto das empresas de Lulinha – ainda serão examinadas, o que deverá ampliar o quadro das movimentações sob investigação.
O contexto da apuração envolve suspeitas de que Lulinha manteve sociedade com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele é um dos principais investigados no escândalo de descontos ilegais em benefícios de aposentados, revelado pelo Metrópoles, e que ficou conhecido como 'Farra do INSS'.
A defesa de Lulinha negou, nos dias anteriores à publicação das informações, qualquer vínculo com o empresário Careca do INSS ou com os descontos indevidos. Segundo os advogados, o filho do presidente irá 'prestar os devidos esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal, que é o foro adequado para a investigação'."