Jornal do Comércio
A abstenção dos eleitores no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi menor do que no primeiro. Enquanto 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas na primeira etapa da votação, em 4 de outubro, o equivalente a 21,08% do eleitorado, o número caiu para cerca de 30 milhões neste domingo (25), ou 19,21% dos eleitores aptos a votar.
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A redução de 1,87 ponto percentual representa a segunda vez na história das eleições presidenciais brasileiras em que a abstenção diminui entre os dois turnos. A primeira ocorreu em 2022, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL).
A queda no número de ausentes ocorreu em meio a uma intensa mobilização das campanhas para levar os eleitores às urnas. Tanto o presidente reeleito Lula quanto o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) percorreram diferentes cidades do País e convocaram apoiadores a participar da votação. Em uma disputa marcada pela polarização política, garantir a presença do eleitorado tornou-se parte importante da estratégia eleitoral dos dois candidatos.
O esforço ganhou relevância diante do resultado apertado do primeiro turno, que registrou a menor diferença entre os dois primeiros colocados na história das eleições presidenciais brasileiras. Flávio terminou a primeira etapa à frente de Lula, mas com uma vantagem estreita, o que manteve em aberto a disputa pelo Palácio do Planalto.
No segundo turno, enquanto o candidato do PL buscou ampliar a dianteira conquistada inicialmente, Lula precisava reverter o resultado para assegurar um novo mandato — objetivo que alcançou nas urnas. Desde a redemocratização brasileira, um candidato que perdeu em primeiro turno nunca havia ganhado as eleições.
Desde a redemocratização, a abstenção havia sido maior no segundo turno em todas as eleições presidenciais com duas etapas realizadas até 2018. Em 2022, porém, o movimento foi invertido: o índice recuou de 20,95% para 20,59%, com 570 mil eleitores a mais comparecendo à segunda votação. Em 2026, a tendência voltou a se repetir, desta vez com uma redução mais expressiva.
A queda ocorre após o primeiro turno registrar o maior percentual de abstenção em uma eleição geral desde 1998, quando 21,49% dos eleitores aptos não votaram.
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