'Ações trabalhistas se resolvem na Justiça, não interditando vias', diz secretário sobre uso da força policial em protesto

Publicado em 25/09/2020, às 17h10
Reprodução -

Redação TNH1 com TV Pajuçara

O Secretário de Segurança Pública de Alagoas, Paulo Lima Júnior, falou sobre o uso da força policial na manhã desta sexta-feira (25), na Avenida Fernandes Lima, no Farol, parte alta de Maceió, para desobstruir a pista durante um protesto realizado por ex-funcionários da empresa de transporte Veleiro. 

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Ao programa Fique Alerta, na TV Pajuçara, o secretário afirmou que os militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) seguiram o protocolo. 

"O emprego de tropa no controle de distúrbio civil é o último recurso. Temos uma situação que vem perdurando há mais de 45 dias, onde funcionários e ex-funcionários da Veleiro interditaram pela quarta vez a Avenida Fernandes Lima. Seguindo o protocolo de Segurança Pública, o protocolo de emprego de tropas especiais da Polícia Militar, nós iniciamos uma negociação que perdurou por mais de 1h20 e não surtiu nenhum efeito". 

"Isso chegou ao ponto que nós tínhamos que desobstruir. Tinham 60 a 80 ex-funcionários da Veleiro interditando a principal via da nossa capital e prejudicando o direito constitucional de ir e vir de todos que ali estavam. Com certeza tinham de duas a três mil pessoas paradas no trânsito, se prejudicando no deslocamento para o emprego, médico, atividades diárias, por questões trabalhistas. Ações trabalhistas se resolvem na Justiça do Trabalho, não interditando vias na nossa capital", pontuou. 

O secretário também foi questionado sobre a necessidade de intervenção do BOPE para encerrar a manifestação pacífica.

"Pacífico estava do ponto de vista deles, mas não é pacífico quando você prejudica terceiros. Pacífico é se estivessem na calçada, na frente do Tribunal da Justiça do Trabalho, pedindo à Justiça, sem prejudicar terceiros. A partir do momento que prejudica a ordem pública e a manutenção do direito constitucional de ir e vir de todos os cidadãos, o Estado tem dever de atuar, porque nós trabalhamos em prol da sociedade como um todo. Sei e reconheço que esses 80 manifestantes devem estar chateados com a operação do BOPE, porém, eu tenho certeza que a população alagoana que estava ali parada há mais de duas horas em seus veículos, aplaudiu a ação da Segurança Pública", respondeu.  

Ainda sobre o uso da força policial, Lima Júnior discordou de que tenha havido excesso por parte da Polícia Militar. 

"Todo o protocolo foi seguido. Nós temos esse procedimento operacional. É uma exceção, como falei há pouco. Só com o pessoal da Veleiro foi a sexta manifestação, sexto bloqueio, sexta ocorrência do Gerenciamento de Crise, onde tivemos sucesso nas cinco primeiras. E o sucesso do Gerenciamento de Crise não depende do Gerenciamento de Crise, depende das partes. A Polícia Militar, através do Gerenciamento de Crise, fez o seu papel. Infelizmente, hoje, tivemos que utilizar a força para voltar a tranquilidade, ordem, paz social e garantir o direito de ir e vir de todos que ali estavam sendo prejudicados por motivação de ex-funcionários de uma empresa de transporte coletivo, de uma questão que está judicializada na Justiça do Trabalho".

O secretário foi questiondo, ainda, sobre a diferença de tratamento entre os protestos de familiares de reeducandos, que fecharam recentemente, e por diversas vezes, vias da capital, e o de hoje realizado pelos ex-funcionários da Veleiro. 

"Primeiro, são situações extremamente diferentes. A manifestação da Veleiro veio por seis vezes seguidas, onde teve a compreensão e houve essa desmobilização. Situação onde ex-funcionários, por uma demanda de uma ação trabalhista, bloquearam a avenida. A outra são mulheres de presos que estão sendo prejudicadas no acesso de visita e entrega de alimentos a parentes que estão custodiados, em detrimento de uma movimentação de uma categoria. São coisas totalmente diferentes", afirmou.

Assista à entrevista. 

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