Acusada de autoria intelectual, irmã de servidora assassinada a tiros em 2012 vai a júri

Publicado em 06/04/2026, às 16h41
- TJAL

Redação com Ascom MPAL

Ler resumo da notícia

Acusada de ser a autora intelectual do assassinato da servidora pública Quitéria Maria Lins Pinheiro, Luciana Pinheiro vai a júri popular na próxima quinta-feira, 09, no Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital. Ela era irmã da vítima, que foi assassinada com cinco tiros, e mãe de um dos dois condenados pelo homicídio, Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes.

LEIA TAMBÉM

O julgamento vai ocorrer após o recurso de apelação do Ministério Público de Alagoas (MPAL) ser acolhido pelo Tribunal de Justiça (TJAL), que determinou que ela fosse submetida a um novo julgamento. O promotor Antônio Vilas Boas vai representar o MPAL na acusação do caso.

Há 12 anos, os autores materiais, Klinger e Mustafá Rodrigues do Nascimento, ambos foram condenados a 20 anos e 10 meses e 21 anos, respectivamente, pela morte da funcionária pública, à época com 54 anos.

De acordo com o promotor, o órgão ministerial entendeu que, à época, a decisão dos jurados foi manifestamente contrária às provas dos autos, uma vez que reconheceram ter sido a ré a mandante do crime, no entanto, a absolveram por clemência sem que, a própria defesa, em plenário do júri, tivesse feito o pedido de clemência ao Conselho de Sentença. 

Para Vilas Boas, a postura levou o Ministério Público a contestar, principalmente pela gravidade, uma vez que a ré era irmã mais velha da vítima e, segundo relatos colhidos, sempre se dispunha a ajudá-la.

“O que queremos é que pague pela crueldade planejada e executada que culminou na morte da senhora Quitéria, assassinada pelas costas, em ato covarde que teve acompanhamento e suporte in loco, pelo sobrinho e filho da ré, que à época confessou o crime e o motivo torpe. Estaremos lá em defesa da vida da vítima e para mostrar à sociedade que o tempo não estanca a luta por justiça, já tivemos casos em que os crimes tinham mais de 25 anos cujos resultados foram condenações”, afirmou o promotor.

Relembre o caso

Quitéria Pinheiro foi assassinada na noite de 12 de agosto de 2012, dentro de casa, no bairro Gruta de Lourdes, em Maceió, por Mustafá Rodrigues Nascimento, companheiro de Exército de Klinger Pinheiro, 20 anos, ambos soldados. Sobrinho da vítima, Klinger confessou ao delegado Cícero Lima ter contratado Mustafá pelo valor de R$ 1.500 para matar a tia mais velha. 

A motivação, pelo apurado e de acordo com o depoimento, seria uma dívida de R$ 5 mil da mãe dele com a vítima. Um outro amigo de Klinger, também do Exército, teria ido com os dois à casa de Quitéria, mas, segundo seu depoimento, não sabia que seria para matá-la, pois Klinger disse que precisava ir à casa da tia pegar umas roupas e estaria dentro do carro na hora dos disparos. Ele chegou a ser julgado, em outubro de 2016, mas foi considerado inocente e absolvido. 

A versão de Klinger dava conta de que ele teria ido pagar o débito em cheques, mas a tia teria se recusado a receber, o que teria motivado uma discussão que culminou no assassinato. No entanto, a investigação da polícia apontou que o grupo chegou à casa de Quitéria em um veículo EcoSport na cor preta, chamaram pela vítima, entraram e, no jardim, já atiraram contra ela.

A polícia confirmou que a mãe de Klinger é a autora intelectual sendo o modus operandi (contratação do executor, chegada à casa e execução) montado pelo filho dela.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

MP e Defensoria recomendam medidas urgentes para proteger população em situação de rua em Maceió Caso Ana Beatriz: mãe acusada de matar bebê é solta e responderá em liberdade Patrão é condenado após mandar funcionário 'fazer o L' por cobrar salário Ministro Flávio Dino amplia investigação sobre emendas para fundação da Lagoinha