Afinal, por que a carne bovina disparou de preço? Entenda o real motivo

Publicado em 18/04/2026, às 13h22
- Pexels

CNN Brasil

Ler resumo da notícia

A disparada no preço do boi gordo, que atingiu em abril o maior nível desde 1997, tem encarecido a carne bovina no Brasil e ampliado a diferença em relação a outras proteínas.

LEIA TAMBÉM

O preço da carne sobe influenciado por uma combinação de fatores ligados à oferta, à demanda e aos custos de produção. Ao mesmo tempo, outras proteínas, como a suína, seguem uma trajetória oposta, ampliando a diferença de preços percebida pelo consumidor.

Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicam que, em março, a carne suína atingiu a maior vantagem de preço em relação à bovina nos últimos quatro anos. Atualmente, é possível adquirir cerca de 2,46 quilos de carne suína com o valor equivalente a 1 quilo de carne bovina, evidenciando o encarecimento relativo da proteína bovina.

Um dos principais fatores por trás dessa alta é a redução na oferta de animais para abate em comparação ao mesmo período do ano passado. Mesmo com aumento geral nos abates, a menor disponibilidade contribui para pressionar os preços do boi gordo.

Esse ciclo é marcado por fases de retenção e descarte de fêmeas: em momentos de preços mais baixos ou margens apertadas, produtores tendem a enviar mais vacas para o abate, elevando a oferta de carne no curto prazo. Já quando os preços melhoram, como no cenário atual, há incentivo para reter matrizes e investir na recomposição do rebanho, reduzindo o número de animais disponíveis para abate.

Como a criação de gado é um processo longo, que pode levar anos entre a reprodução e o ponto ideal de abate, essa decisão impacta a oferta de forma prolongada, contribuindo para períodos de preços mais elevados.

Além disso, o desempenho das exportações de carne bovina tem impacto direto no mercado interno. Com maior volume destinado ao exterior, há redução da oferta disponível no país, o que tende a elevar os preços para o consumidor brasileiro. Além disso, há uma certa cautela do setor brasileiro, em função das cotas chinesas.

Outro elemento relevante é a valorização da arroba do boi gordo. Em praças importantes como Araçatuba e Barretos (SP), o preço gira em torno de R$ 365 por arroba, refletindo a sustentação das cotações mesmo em períodos de menor ritmo de negociação.

Esse cenário também tem efeitos na indústria frigorífica. O aumento do custo da matéria-prima tem pressionado as margens, levando empresas a ajustarem suas operações. Medidas como férias coletivas e redução de turnos foram adotadas em algumas unidades da JBS em Mato Grosso, como forma de adequar a produção ao contexto de preços elevados. Já a MBRF também estaria promovendo adequações nos turnos da fábrica no estado.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Por que os custos da morte também devem entrar na conta do mês Cesta básica ficou mais cara em apenas duas capitais; Maceió é uma delas Isenção da “taxa das blusinhas” em compras até US$ 50 é sancionada Novas regras da CNH geram economia de R$ 9,6 bilhões a motoristas em oito meses, diz governo