Alagoas direciona safra de cana para produção de etanol

Publicado em 10/01/2026, às 08h49

Flávio Gomes de Barros

Da newsletter "Investindo por aí":"

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A safra de cana-de-açúcar 2025/2026 em Alagoas avança dentro das expectativas do setor. Após um início marcado por cautela, a nova projeção indica manutenção do ritmo e possibilidade de crescimento. Na pior hipótese, o Estado deve repetir os números do ciclo anterior.

No começo da safra, em setembro, a estimativa era de expansão de até 1,8%. As chuvas acima da média entre março e outubro reforçaram a perspectiva de recuperação no campo. Quatro meses depois, o Sindaçúcar-AL confirmou que o desempenho segue consistente, apesar do início mais tardio da moagem.

O setor projeta o processamento de cerca de 18 milhões de toneladas de cana. O volume mantém Alagoas como o maior produtor do Norte e Nordeste. Na safra passada, foram moídas 17,4 milhões de toneladas.

Até a primeira quinzena de dezembro, as usinas haviam processado 9,5 milhões de toneladas. No mesmo período do ciclo anterior, o total foi de 10,5 milhões. A diferença representa queda de 9,6%, explicada por decisão estratégica das usinas.

Segundo o presidente do Sindaçúcar-AL, Pedro Robério Nogueira, em entrevista à Folha de Alagoas, a moagem foi postergada de forma deliberada. “A cana teve mais tempo para amadurecer. Isso reduz o volume inicial, mas melhora o rendimento industrial”, afirmou.

Além do fator operacional, a safra é marcada por mudança no mix de produção. As usinas passaram a destinar mais cana para o etanol. A projeção de açúcar caiu de 1,5 milhão para cerca de 1,1 milhão de toneladas.

“Vamos direcionar mais cana para o etanol. A produção pode chegar a 500 milhões de litros”, disse Pedro Robério. O crescimento estimado é superior a 23% em relação à safra anterior.

A decisão reflete o cenário de mercado. O etanol tem apresentado melhor remuneração no mercado interno. O açúcar sofre com preços mais baixos e com o impacto do tarifaço dos Estados Unidos, que reduziu as exportações.

Os dados acumulados até dezembro confirmam a estratégia. A produção de açúcar caiu 22,5%, enquanto o setor reforça o papel do etanol, especialmente o anidro, essencial para a matriz energética e as metas de descarbonização."

 
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