Agência Tatu
Alagoas tem uma população estimada em 3,2 milhões de habitantes e 2,4 milhões de eleitores. Apesar da diferença entre os totais estaduais, 15 municípios apresentam eleitorado superior à população estimada. As informações são da Agência Tatu, que realizou um cruzamento entre os dados do eleitorado de 2026 apto a votar, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e as estimativas populacionais de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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O levantamento considera o eleitorado de 2026 e permite identificar os municípios em que o total de eleitores é superior à população estimada.
Ao comparar o número de municípios com mais eleitores do que habitantes em 2022 e 2026, o maior crescimento proporcional ocorreu no Ceará: de dois municípios, em 2022, para 14 neste ano, uma alta de 600%. Em seguida aparece Alagoas, que passou de três para 15 municípios, crescimento de 400%. O Piauí registrou o terceiro maior aumento proporcional, passando de 35 para 76 cidades.
As 15 cidades listadas pela Agência Tatu: Minador do Negrão, Jacaré dos Homens, Palestina, Belo Monte, Jundiá, Jacuípe, Chã Preta, Tanque d'Arca, São Brás, Campo Grande, Jaramataia, Mar Vermelho, Pindoba, Belém e Olho d'Água Grande.
Olho d’Água Grande, no Agreste, Jundiá e Chã Preta, na Zona da Mata, lideram a lista estadual. Olho d’Água Grande tem 4.381 habitantes e 5.156 eleitores, uma diferença de 17%. Jundiá, na Zona da Mata, registra 4.175 habitantes e 4.851 eleitores aptos a votar. Chã Preta tem cerca de 6 mil habitantes e 6.930 eleitores.
Em 2022, três municípios alagoanos estavam nessa situação: Jundiá, Belém e Mar Vermelho. Em 2026, os três continuam com mais eleitores do que habitantes e outros 12 municípios passaram a integrar a lista.
Em números absolutos, o Nordeste concentra a maior parcela dos municípios brasileiros nessa situação, com 279 cidades, o equivalente a cerca de 38% do total. Na sequência aparecem o Sudeste, com 218 municípios (29,7%); o Sul, com 102 (13,9%); o Centro-Oeste, com 99 (13,5%); e o Norte, com 35 (4,8%).
Mais de 158 milhões de eleitores estão aptos a votar nas eleições de 2026. O número representa cerca de 74% da população brasileira. Embora o eleitorado seja naturalmente inferior ao total de habitantes, em 733 municípios o número de eleitores supera o de pessoas residentes. No Nordeste, 279 cidades se enquadram nesse perfil, e o Piauí concentra o maior número de casos.
Discrepância não indica fraude, mas requer monitoramento, avalia especialista
A cientista política Luciana Santana avalia que a diferença entre o número de eleitores e habitantes, por si só, não constitui evidência de fraude. Para ela, porém, o fenômeno merece investigação e monitoramento, pois pode refletir transformações demográficas, movimentos migratórios e a forma como os vínculos eleitorais são estabelecidos no Brasil.
“Esse fenômeno pode produzir alguns efeitos relevantes. Em municípios pequenos, poucos votos podem definir uma eleição, de modo que um contingente expressivo de eleitores que não reside cotidianamente na cidade pode alterar a dinâmica da competição eleitoral. Isso reforça a importância das redes familiares e dos vínculos locais, bastante característicos de parte do Nordeste”, pontua Luciana.
Em todo o país, a maior diferença proporcional entre o número de eleitores e habitantes foi identificada em Davinópolis, em Goiás. O município tem 1.889 habitantes e 4.156 eleitores aptos a votar. O eleitorado é, portanto, cerca de 120% superior à população estimada, ou 2,2 vezes o número de habitantes.
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