Alckmin é 'lançado' candidato a governador em 2022 e cria saia-justa a Doria

Publicado em 18/10/2019, às 20h08
Reprodução/EBC -

Folhapress

Depois de terminar em quarto lugar a corrida presidencial do ano passado, com cerca de 5% dos votos, o pior resultado de um candidato do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que ia "voltar para a Planície" e se dedicar a dar aulas.

LEIA TAMBÉM

Na noite da última quarta-feira (16), no entanto, Alckmin foi aclamado por um grupo de prefeitos e vereadores tucanos como candidato ao Governo de São Paulo em 2022. O tucano já governou o estado por mais de 12 anos (2001 a 2006 e 2011 a 2018).

O governador João Doria (PSDB), atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes, seria o candidato natural à reeleição pelo partido se não estivesse planejando voos maiores -o tucano almeja a Presidência da República em 2022.

Doria foi criticado no mesmo jantar em que Alckmin foi informalmente lançado ao Governo de SP. "Ele foi governador de gente humilde, não é engravatado que quer tirar vantagem do governo", discursou Pedro Tobias, ex-deputado estadual e ex-presidente do PSDB em São Paulo.

"Nós que precisamos dele. O estado de São Paulo precisa dele. Prefeito precisa dele. Vocês, prefeitos, conseguiram alguma fotografia com João Doria? Nenhuma. Foi à cidade de vocês? Não. Vamos trabalhar e já, pra não deixar alguém ocupar espaço", completou Tobias.

Tobias foi efusivamente aplaudido ao dizer que estava lançando Alckmin a governador de São Paulo. "Viva, Geraldo", gritaram alguns prefeitos.

A fala ocorreu durante um jantar com prefeitos e vereadores do PSDB, em Campos do Jordão, após participação de Alckmin no 63º Congresso de Municípios Paulistas.

"Ele vai ser nosso candidato. A receptividade foi nota 10", disse Tobias à Folha. Questionado sobre a disposição de Alckmin em disputar mais uma eleição, ele respondeu: "Ele topa. Ele diz que está cedo, mas adorou a ideia."

Tobias afirmou ainda que Doria é candidato à Presidência, o que deixa o espaço livre para Alckmin ser o candidato do PSDB ao Governo de SP. Ele disse que a fala sobre "engravatado" foi porque "Doria se esqueceu do interior, que elegeu ele", e voltou a dizer que os prefeitos cobram uma foto com o governador.

Tucanos do governo Doria, porém, veem seu vice-governador, Rodrigo Garcia (DEM), como sucessor natural ao Palácio dos Bandeirantes. Em troca, o DEM apoiaria sua candidatura ao Planalto. Garcia, quando questionado sobre o assunto, desconversa e diz que se concentra no atual mandato.

A hipótese esbarra no próprio PSDB, que teria que abrir mão, em 2022, de um candidato próprio no estado que governa desde 1995 -algo considerado improvável por alguns tucanos. "Se o PSDB não lançar candidato em São Paulo, o partido acaba de uma vez", ponderou Tobias à Folha.

Tucanos próximos a Doria consideraram o lançamento da candidatura de Alckmin um constrangimento, que cria divisões no partido. Afiram ainda ser muito cedo para falar em eleição de 2022 e avaliaram que tal antecipação é prejudicial ao ex-governador.

Embora Alckmin tenha sido o padrinho de Doria e o grande patrocinador de sua candidatura vitoriosa à Prefeitura de São Paulo em 2016, a relação entre eles já não é mais a mesma.

Após se eleger prefeito, Doria passou a articular uma candidatura própria à Presidência da República. Alckmin se impôs e saiu candidato ao Planalto no ano passado, enquanto Doria, após apenas 15 meses na prefeitura, deixou o cargo para disputar o governo do estado.

Em reunião de líderes tucanos após a eleição de 2018, Alckmin chegou a insinuar que Doria era traidor.

Desde então, o grupo de Doria dominou o PSDB, com um aliado dele, o ex-deputado federal Bruno Araújo (PE), substituindo Alckmin no comando da sigla. No diretório de São Paulo, saiu Tobias, crítico de Doria e fiel a Alckmin, e entrou Marcos Vinholi, alinhado ao governador.

Doria, no entanto, ainda enfrenta resistência na sigla. Em julho, ele foi derrotado em votação na executiva nacional. Por 30 votos a 4, o órgão que reúne os líderes do partido rejeitou a abertura de um processo de expulsão de Aécio Neves (PSDB-MG), que havia sido patrocinado pelo governador de São Paulo.

Mais do que um sinal de apoio a Aécio, a derrota expressiva foi vista como um recado de desaprovação dos deputados federais a Doria.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Câmara aprova regime de urgência para projeto que cria o “imposto do congestionamento” Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado