Alcolumbre e centrão impõem duas derrotas ao governo

Publicado em 30/04/2026, às 20h00

Flávio Gomes de Barros

Está instaurada a divergência entre os três Poderes da República.
Coube ao Congresso Nacional, de forma surpreendente para muitos analistas políticos, mudar o cenário no Planalto Central com decisões que têm tudo para impactar a campanha eleitoral deste ano.
A explicação é do jornalista Josias de Souza:
 
"Em menos de 24 horas, o Congresso desferiu duas pauladas em Lula. Na noite de quarta-feira, os senadores rejeitaram a indicação do advogado-geral Jorge Messias ao Supremo, algo que não acontecia há 132 anos. Na tarde desta quinta, deputados e senadores derrubaram o veto de Lula à lei da dosimetria, suavizando as penas de Bolsonaro e seus cúmplices na trama do golpe.
 
Deve-se a dupla derrota do Planalto a uma aliança estratégica de Davi Alcolumbre com o centrão. Enrolados no escândalo do Master, o presidente do Congresso e os oligarcas dos partidos majoritários do Legislativo se juntaram ao bolsonarismo com dois propósitos: enfraquecer Lula e o Supremo, além de obter uma autoblindagem contra o avanço das investigações do falecido banco de Daniel Vorcaro. A aliança envolveu um acordo para o sepultamento da CPI que investigaria o escândalo.
 
As manobras produziram um curto-circuito na articulação do governo no Congresso. Chegam nas pegadas das pesquisas que expõem a impopularidade de Lula e o avanço da candidatura do desafiante Flávio Bolsonaro. Ficou entendido que a cúpula do centrão e, sobretudo, Alcolumbre já não enxergam em Lula a única perspectiva de poder na sucessão de 2026. Colocaram um pé na canoa do filho de Bolsonaro.
 
Em reação, Lula disse a aliados que pegará em lanças. Deseja constranger os adversários. Reforçará a mão forte da Polícia Federal. Com a caneta na mão, indicará um novo nome para o Supremo. Alcolumbre assumiu com a oposição, nos bastidores, o compromisso de retardar a análise do escolhido de Lula para depois da eleição, deixando em aberto a hipótese de transferir a escolha para Flávio Bolsonaro, caso ele prevaleça nas urnas.
 
Num instante em que o impeachment de ministros do Supremo sobe o palanque, ficou entendido, de resto, que está aberto o caminho para a eventual deposição de togas na legislatura a ser inaugurada em 2027. Em campanha pela recondução ao comando do Senado, Alcolumbre terá que optar entre a amizade que construiu com magistrados como Alexandre de Moraes e a sobrevivência do seu projeto de poder."
 
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