Aliados veem Bolsonaro e Tarcísio alinhados em meio ataques de Eduardo e Malafaia

Publicado em 21/08/2025, às 14h25
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Folhparess

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) e de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda veem alinhamento entre o ex-presidente e o governador de São Paulo mesmo diante dos ataques de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e de Silas Malafaia nas mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-presidente.

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Os dois escreveram ao ex-presidente criticando a atuação do governador, e o parlamentar chega a dizer que Tarcísio estaria de "braços cruzados" diante da situação do pai no STF (Supremo Tribunal Federal).


Nem todos os áudios enviados por Bolsonaro nas conversas foram recuperados. Mas o material apresentado pela polícia demonstra algo que nos bastidores do bolsonarismo já se falava: há um alinhamento entre Tarcísio e o ex-presidente, apesar da tentativa de fritura no entorno.


Tanto Eduardo quanto Malafaia já falaram publicamente contra o governador de São Paulo. Eles pertencem a uma ala hoje no bolsonarismo crítica ao governador, tentando apontá-lo como "candidato do sistema".


"Agora ele [Tarcísio] quer posar de salvador da pátria. Se o sistema enxergar no Tarcísio uma possibilidade de solução, eles não vão fazer o que estão pressionados a fazer. E pode ter certeza, uma 'solução Tarcísio' passa longe de resolver o problema, vai apenas resolver a vida do pessoal da Faria Lima", disse Eduardo, em uma das mensagens.


O deputado também pleiteia a sucessão eleitoral do pai à Presidência da República. Mas, diante do avanço dos inquéritos no STF, não deve retornar ao Brasil.


Aliados de Tarcísio e Bolsonaro minimizam as críticas, por elas já terem sido expostas publicamente, ainda que não tenha sido com tantas palavras. Além disso, destacam que Bolsonaro não endossou os ataques ao ex-governador.


O deputado federal, em um dos trechos divulgados pelo relatório da PF, disse: "Só para te deixar ciente: Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo vc se fuder e se aquecendo para 2026".


Já o pastor fala sobre a ida do governador à embaixada dos Estados Unidos para conversar com o encarregado de negócios sobre o tarifaço naquela época apenas anunciado aos produtos brasileiros. "Se Tarcísio foi a embaixada americana a pedido seu, você cometeu o maior erro político da sua vida", disse.


O governador estava na cidade e almoçou com Bolsonaro na ocasião. Segundo relatos da época, ele foi à embaixada com o aval do ex-presidente --que, apesar das críticas de bolsonaristas ao gesto de Tarcísio, se manteve silente.


No diálogo com Malafaia, ele evita criticar Tarcísio, mas diz: "Pô, Malafaia, cê tá meio emprenhado pelos ouvidos aí. Tu acha que eu mandei alguém negociar com o encarregado de negócios? Eu tenho contato direto, porra. E sei que o cara não cede, não adianta. Tá certo? Quem foi negociar perdeu tempo".


Interlocutores buscam manter esse alinhamento entre o governador de São Paulo e o seu padrinho político, sobretudo por entender que ele é hoje a opção mais viável da direita para a Presidência em 2026.


Tarcísio foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro e, na pasta, endossou a postura negacionista do então presidente sobre a Covid (estava ao lado dele na live em que o ex-presidente riu ao comentar um suposto aumento de suicídios na pandemia).


Nesta semana, antes do novo indiciamento ao clã, Tarcísio participou de um jantar com presidentes de partido e governadores da direita, em que defendeu o ex-presidente. Também passou a participar mais de perto por uma articulação para impor derrotas ao governo Lula (PT) no Congresso.


Segundo esses interlocutores, o ex-presidente está mais maduro politicamente e entende que é preciso união no próximo ano para ganhar eleição. Além disso, falam que ele não vai ser influenciado negativamente desta forma.


O entorno do Tarcísio já tem os ataques de alas mais radicais do bolsonarismo precificados. A estratégia é manter a boa relação entre os dois. Antes da prisão domiciliar, as idas frequentes do governador de São Paulo a Brasília sempre tinham um almoço entre eles.


Já aliados de Eduardo, por sua vez, dizem que não é possível inferir nada pelas mensagens captadas pela PF. A crítica é de que houve um vazamento seletivo, com objetivo de rachar o grupo político.


O deputado federal ligou para o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), após a divulgação do relatório da PF para dizer que estava tudo bem entre ele e Malafaia -de quem Sóstenes é aliado. Em uma das mensagens a Bolso


Segundo relato, Eduardo disse que Malafaia teria crédito para xingá-lo e que o pastor é uma das pessoas que mais defende seu pai. A fala, em tom tranquilizador, foi no sentido de tentar mantê-los unidos.

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