Anti-inflamatórios podem aumentar risco de ataque cardíaco em até 58%

Publicado em 10/05/2017, às 18h40

Redação

Uma pesquisa divulgada esta quarta-feira revelou que o uso de analgésicos conhecidos como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno, podem aumentar o risco de ataques cardíacos. De acordo com o estudo, as chances de agravo são maiores no primeiro mês de uso contínuo. Os riscos podem ser vistos já a partir da primeira semana.

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A probabilidade de problemas cardiovasculares oscilaria entre 24% e 58%, dependendo do analgésico utilizado. Outros fatores devem ser considerados: o risco de ataques cardíacos também aumenta se as doses forem altas e o tratamento tiver grande duração. No entanto, após um mês de uso, não foi registrado aumento significativo nas chances de apresentação de problemas cardiovasculares.

A equipe capitaneada por Michèle Bally, epidemiologista do Hospital da Universidade de Montreal (Canadá), revisou estudos realizados com 446.763 pessoas com idade entre 40 e 79 anos, no Canadá, na Finlândia e no Reino Unido. Neste grupo, 61.460 tiveram ataques cardíacos. Foram observados apenas pacientes que receberam prescrição médica, e não aqueles que adquiriram o remédio por conta própria. Os centistas destacam, no entanto, que outros fatores além do medicamento podem estar envolvidos nas doenças cardiovasculares.

Esta é a primeira pesquisa que indica o efeito das doses dos analgésicos, o momento de maior vulnerabilidade a doenças cardiovasculares, a duração do tratamento e a comparação entre os medicamentos são mensurados.

"Considerando que o risco de infarto agudo do miocárdio é identificado já na primeira semana de uso e aparece maior no primeiro mês de tratamento com doses mais elevadas, os prescritores devem considerar a ponderação dos riscos e benefícios dos anti-inflamatórios antes de instituírem o tratamento", afirmaram os pesquisadores no estudo.

Michèle revela que o aumento absoluto dos riscos é muito pequeno, já que, na maioria das pessoas, as chances de ocorrência de um ataque cardíaco também são ínfimas. Ainda assim, a epidemiologista ressalta que os pacientes devem ser informados sobre detalhes de seus tratamentos.

— Quero que as pessoas conversem com seus médicos — avisa Michèle, cujo estudo foi publicado no "British Medical Journal". — A maioria dos pacientes não está ciente de seu risco cardiovascular. Então, você deve saber se é bom continuar com os AINEs ou se deve considerar outros tratamentos.

OS MAIS PERIGOSOS

De acordo com o estudo, há mais de 90% de chances de que todos os anti-inflamatórios não esteroides estejam relacionados ao risco de ataque cardíaco. A probabilidade de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com o remédio. O que apresentou menor risco foi o celecoxibe (Celebra) com 24% de probabilidade de problemas cardiovasculares. Em seguida, aparecem o ibuprofeno (Advil e Motrin) com 48% de chance; diclofenaco (Voltaren) com 50%; e naproxeno (Flanax) com 53%. A maior taxa de risco foi verificada no rofecoxib, que foi retirado do mercado em 2014, com 58%.

O levantamento, no entanto, foi visto com ressalvas por parte da comunidade médica. Diretora do Real Colégio Britânico de Clínica Geral, Helen Stokes-Lampard pondera que é perigoso rejeitar imediatamente os analgésicos.

— Estas drogas podem ser eficazes no fornecimento de alívio da dor a curto prazo para alguns pacientes — sublinha. — É importante que qualquer decisão de prescrever seja baseada nas características individuais do paciente, e que os resultados sejam revistos regularmente.

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