Anvisa aprova novo medicamento para prevenção de enxaqueca; saiba qual

Publicado em 08/09/2026, às 13h07
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CNN Brasil

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta terça-feira (8) o Aquipta, um novo medicamento oral voltado para a prevenção de enxaqueca episódica ou crônica. O fármaco, também conhecido como atogepanto hidratado, será comercializado pela Abbvie Farmacêutica.

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Diferente de outros medicamentos que agem depois que a dor de cabeça começa, o Aquipta atua diretamente no bloqueio de uma via envolvida na transmissão da dor e na origem da enxaqueca, prevenindo assim o aparecimento das crises.

Segundo a agência, a aprovação da Aquipta foi baseada depois de estudos avaliarem a eficácia, segurança e tolerabilidade do medicamento. O remédio é indicado de forma preventiva para adultos que têm pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca.

A Anvisa autorizou o atogepanto em formato de 10 e de 60 miligramas, os dois em caixas com 28 unidades. A aprovação foi publicada na Resolução nº 3.458 no DOU (Diário Oficial da União).

Em nota, a AbbVie Brasil informou que o remédio ainda passará pela análise da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que define os preços dos medicamentos no país com base em diversos critérios e referências internacionais.

O fármaco já é comercializado em países europeus e nos Estados Unidos. No entanto, apesar da aprovação, ainda não há previsão de sua chegada às farmácias brasileiras.

“Na AbbVie, sabemos que viver com enxaqueca pode ser debilitante e que as pessoas continuam enfrentando uma necessidade médica significativa ainda não atendida. A aprovação do atogepanto reforça nosso compromisso com o avanço da ciência e com a ampliação das alternativas terapêuticas disponíveis no país, com o objetivo de ajudar as pessoas a terem menos dias de enxaqueca e, potencialmente, maior controle sobre suas vidas”, afirma Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil.

O que é o Atogepanto e como ele age no organismo?

O atogepanto é uma substância oral seletiva do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina — uma das responsáveis pela dor de cabeça.

O medicamento atua bloqueando a ligação do CGRP (peptídeo) ao seu receptor, interferindo em um dos principais mecanismos envolvidos na origem da enxaqueca. O CGRP participa de processos relacionados à transmissão da dor e à ativação de vias envolvidas nas crises.

Estudos clínicos basearam decisão da Anvisa

A aprovação da agência se baseou em dois estudos: Advance e Progress.

Na primeira pesquisa, cerca de 910 participantes foram recrutados. O tratamento com atogepanto 60 mg uma vez ao dia demonstrou redução média de 4,1 dias mensais de enxaqueca, comparada a 2,5 dias no grupo placebo (substância utilizada em outros medicamentos para dor de cabeça).

Além disso, 59% dos pacientes alcançaram redução de pelo menos 50% na frequência das crises, contra 29% no grupo placebo.

Por outro lado, no levantamento do Progress, cerca de 778 adultos com enxaqueca crônica foram avaliados durante 12 semanas de tratamento. Os pacientes representaram redução média de 6,9 dias mensais de enxaqueca, comparada a 5,1 dias no grupo placebo.

Outro medicamento já havia sido aprovado anteriormente

O Aquipta não é o único utilizado para esse tratamento. Em maio deste ano, a Anvisa aprovou o Nurtec ODT também voltado a melhora das crises de enxaquecas.

O princípio ativo do produto é o hemisulfato de rimegepanto sesqui-hidratado, que pertence a uma nova classe de medicamentos voltados ao tratamento direto da doença. O medicamento da Pfizer também age no bloqueio da ação da calcitonina (CGRP), proteína que causa a inflamação e a dor da enxaqueca.

O que é a enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença neurológica, caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença atinge cerca de 15% da população mundial. Os ataques são frequentemente acompanhados de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som, eles costumam durar de 4 a 72 horas.

“A enxaqueca é uma doença neurológica crônica e muitas vezes invisível para quem não convive com ela. Não se trata apenas de dor de cabeça. As crises podem comprometer o trabalho, os estudos, a vida familiar e a saúde mental, levando muitos pacientes a uma perda importante de qualidade de vida”, afirma Alexandre Venturi, neurologista, membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia e Preceptor do Serviço de Neurologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

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