Após dopar casal de idosos, Paola Stefany ligou para parente das vítimas que a indicou

Publicado em 02/07/2026, às 15h23
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O Tempo

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O advogado Vinícius Moreira Mitre, primo de Cláudio Atala Inácio, de 76 anos, idoso vítima de latrocínio no bairro São Pedro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, afirmou ter recebido uma ligação da diarista Paola Stefany Neto Cirino, suspeita que confessou ter matado o casal, poucas horas antes do crime. Segundo ele, a mulher disse que Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos - que também morreu no ataque - estava passando mal e pediu ajuda.

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Vinícius contou que orientou a suspeita a acordar Cláudio ou acionar o filho do casal, mas ela insistiu para que ele não ligasse para o idoso. “Ela me ligou dizendo que a Maria Clotilde estava passando mal. E falou que tinha ido medir a pressão dela, mas estava tudo normal. Aí falei: ‘Paola, você está me ligando pra quê? Eu não tenho nada a ver com isso. Ela é minha prima, mas eu não sou um primo presente. O marido dela está aí, vai lá e acorda ele. Se a mulher está passando mal, acorda o Cláudio. Ela falou: ‘Não liga pro Cláudio, não, viu? Não liga, por favor, não ligue pra ele.’ Eu desliguei. Só fui entender a situação na terça-feira”, lamenta.

A diarista trabalhava para Vinícius desde outubro do ano passado, período em que demonstrou ser um profissional exemplar. “Contratei a Paola em outubro do ano passado, por indicação da irmã dela. Ela fez uma revolução na minha casa de tanta organização e cuidado”, conta. 

Foi justamente pela confiança que tinha nela que decidiu repassar o contato ao primo, quando ele procurava uma profissional para trabalhar na residência. “Ela sempre foi exemplar lá em casa. Nunca sumiu um alfinete. Era muito caprichosa, muito atenciosa e cuidava até das minhas roupas e da comida.”

Vinícius conta que jamais imaginou que a mulher pudesse estar envolvida em um crime dessa gravidade e diz conviver com um forte sentimento de culpa por ter feito a indicação. Estou me sentindo muito mal. Desde terça-feira fico me cobrando por ter feito essa indicação.”

Mudança de comportamento

Apesar do bom histórico como diarista, o advogado afirma que percebeu mudanças no comportamento da mulher nos últimos meses. Segundo ele, tudo começou após uma viagem ao Rio Grande do Sul, que terminou na Argentina. Ela teria dito que foi ao estado para visitar o pai, mas Vinicius conta que, posteriormente, soube que ela viajou com um homem e teve problemas financeiros para voltar ao Brasil.

“Ela me falou que ia viajar para o Sul para visitar o pai e que ficaria uma semana. Só que essa uma semana durou três. Depois fui ver que ela não tinha viajado para ver o pai. Ela foi com um homem e acabou parando na Argentina. Depois teve até dificuldade para voltar e eu tive que mandar dinheiro para ela voltar”, conta o advogado. 

Instabilidade emocional e uso de remédios constante

Depois da viagem, ela passou a apresentar instabilidade emocional e a fazer uso frequente de medicamentos de tarja preta. “Ela começou muito bem, mas de uns tempos para cá mudou completamente o comportamento. Depois dessa viagem ela começou a tomar muito remédio. Mandava foto da mão cheia de comprimidos de tarja preta. Eu falei que ela estava exagerando e que poderia ter uma parada cardiorrespiratória”, explica. 

Ainda de acordo com Vinícius, a diarista também enfrentava dificuldades financeiras e havia relatado ameaças de agiotas por causa de dívidas. Ele afirma que chegou a orientá-la a procurar a polícia e até a ajudá-la financeiramente.

Mesmo após a confissão da suspeita, o advogado diz ter dificuldade para acreditar no que aconteceu. “Hoje de manhã fiquei estarrecido ao ver que ela confessou o crime. Não é a Paola que eu conheci.”

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