Após operação da PF, menos da metade dos deputados comparece à ALE

Publicado em 30/03/2017, às 16h38

Redação

Após a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 30, para investigar o pagamento de R$ 150 milhões a servidores “fantasmas” da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), apenas 12 deputados estaduais compareceram a Casa e a sessão desta tarde precisou ser suspensa por falta de quórum.

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Com 27 deputados estaduais no total, é necessária a presença de 14 para que a sessão ocorra.

O deputado estadual, Rodrigo Cunha, foi o único a comentar a operação deflagrada pela PF e cobrou transparência da atual Mesa Diretora da ALE.

“É inaceitável ver novamente a Assembleia Legislativa em destaque de maneira negativa, envolvida em mais um escândalo. Estou cobrando desde o início do meu mandato, que as informações sejam dadas como a Lei de Acesso à Informação determina. Ela permitiria a todo mundo saber quem é que trabalha na Assembleia, em qual gabinete e o quanto se recebe. Mas nenhum cidadão tem acesso a esses dados. Temos que mudar essa realidade. Essa situação que aconteceu entre 2010 e 2013 também pode estar ocorrendo hoje em dia”, criticou.

Cunha também lembrou da auditoria realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na folha de pessoal da Assembleia, iniciada em 2015, e que até hoje não foi divulgada. “Já havia cobrado anteriormente e caso não seja entregue em 24 horas irei buscar outros meios para que tenha acesso a esta informação”, frisou.

Após o encerramento da sessão, a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa divulgou nota sobre a operação e afirma que está a disposição para colaborar com os esclarecimentos necessários.

Confira a nota:

“A Assembleia Legislativa foi alvo, nesta manhã, de ação de cumprimento de mandado judicial, referente a uma investigação circunscrita ao período de 2010-2013. Preliminarmente, o Poder assim se manifesta:

2-Sobre a acusação de suposta presença de beneficiários do Bolsa Família na folha de pessoal, causa espécie a constatação da falta de integração e de acesso das demais esferas de poder ao cadastro do mencionado Programa, que é de responsabilidade federal. A restrição é tanta que o próprio Congresso Nacional já discute projeto de lei pelo qual garante ao cidadão o acesso a essa listagem;

3-A atual Mesa Diretora desconhece que tenha havido qualquer requisição administrativa, visando um confronto sistemático da folha de pessoal com o cadastro do Bolsa Família. Nos últimos tempos, vem atendendo, de pronto, diversos pedidos pontuais efetuados por órgãos de investigação;

4-Ao recomendar prudência em relação às informações extraídas de contexto, a atuai mesa Diretora, por fim, vê com naturalidade a ação investigativa. Afirma encontrar-se aberta à criação de novos mecanismos de controle interno e reitera o compromisso de colaborar com O esclarecimento da verdade”.

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