A azia durante a gravidez é um desconforto conhecido por muitas gestantes. Para Geraldine Levano, de 31 anos, porém, a sensação de queimação era tão intensa durante a gestação do segundo filho, que precisou procurar atendimento médico diversas vezes durante esse período.
Moradora de Houston, no Texas, nos Estados Unidos, Geraldine engravidou do seu segundo filho em 2022. Durante a gestação, começou a sentir uma queimação intensa, acompanhada da sensação de que havia algo preso na região do estômago.
Na época, Geraldine trabalhava como auxiliar médica e chegou a conversar sobre os sintomas com colegas e com o obstetra. No entanto, ouviu que o desconforto era comum durante a gravidez e que o bebê estava bem.
A dor, contudo, continuava, mesmo com o uso de medicamentos. "Eu não conseguia suportar a dor", relembrou em entrevista ao TODAY.com.
Diagnóstico veio após o nascimento do bebê
Em abril daquele ano, a auxiliar médica deu à luz o segundo filho. Cerca de duas semanas depois, percebeu novos sinais de alerta. Mesmo após o parto, a azia permanecia e, abaixo das suas costelas, no lado esquerdo do abdômen, também notou um caroço doloroso abaixo das costelas, no lado esquerdo do abdômen.
Ao procurar um médico, foi encaminhada para um ultrassom. O exame levantou suspeitas e, no dia seguinte, com a dor ainda mais intensa, Geraldine voltou ao hospital. "Eu não conseguia nem andar, não conseguia nem carregar meu bebê", explicou a mãe.
Foi então que recebeu a notícia de que estava com câncer. Uma tomografia confirmou o diagnóstico de câncer de cólon e revelou um tumor de aproximadamente 7,6 cm, que quase bloqueava completamente o intestino.
Segundo o cirurgião colorretal Amit Agarwal, da Universidade do Texas em Houston, que participou do tratamento da paciente, o tumor pressionava o estômago da mãe por trás. “A massa estava, na verdade, pressionando o estômago. Nem tudo o que ela comia era necessariamente digerido e o ácido voltava, como no refluxo”, explicou Amit.
Com o diagnóstico, Geraldine lembrou de alguns sinais que haviam passado inicialmente despercebidos. Geraldine tinha perdido peso, estava com anemia e constipação, mas havia atribuído as condições às mudanças do corpo geradas pela gravidez.
"Depois da gravidez, quando você continua tendo esses sintomas, é aí que a ficha cai", explicou o cirurgião.
Após o diagnóstico, Geraldine passou por uma cirurgia para retirar o tumor, em função da sua dimensão. O procedimento exigiu o uso temporário de uma bolsa de colostomia, que permite eliminar as fezes por uma abertura no abdômen. Em seguida, realizou sessões de quimioterapia e, posteriormente, imunoterapia.
Além de lidar com o próprio tratamento, Geraldine precisava cuidar do recém-nascido e do filho mais velho, que tinha 3 anos, junto com o seu marido. Na mesma época, sua mãe também foi diagnosticada com câncer de endométrio. "Foi muito, muito difícil", admitiu.
Em dezembro de 2022, após alguns meses de tratamento, Geraldine pôde retirar a bolsa de colostomia. A imunoterapia veio na sequência e, segundo ela, provocou menos efeitos colaterais do que a quimioterapia.
Em agosto de 2023, a norte-americana celebrou o fim do tratamento. Desde então, segue em remissão e realiza exames regulares para acompanhar a saúde.
Síndrome hereditária aumentou o risco de câncer
A investigação também revelou que Geraldine tem síndrome de Lynch, uma condição genética hereditária que aumenta o risco de desenvolver determinados tipos de câncer, incluindo o colorretal e o de endométrio.
Após descobrir a síndrome, a mãe optou por realizar uma histerectomia parcial como parte dos cuidados para reduzir os riscos relacionados à condição. Atualmente, mantém acompanhamento médico e faz colonoscopias periódicas.
A ideia de que esse risco genético pode ter sido passado aos seus filhos , agora com 4 e 7 anos, trouxe algumas ansiedades. "Qualquer pequena doença, qualquer pequena dor que eles sentissem, eu os levava ao hospital. Ainda que tenha relaxado um pouco, até hoje isso ainda me afeta”, revelou Geraldine.
Ao compartilhar sua história, Geraldine espera incentivar outras pessoas a insistirem na investigação de sintomas persistentes, especialmente quando sentem que suas preocupações não estão sendo levadas a sério. "Se você sente que algo está errado, nunca aceite apenas um não como resposta", afirmou a mãe.
Azia e refluxo são comuns durante a gravidez e, isoladamente, não significam que a pessoa tenha algum tipo de câncer. No entanto, sintomas intensos, persistentes ou acompanhados de outros sinais incomuns devem ser avaliados por um médico.