Após tombo na véspera, Bolsa tem recuperação e sobe 7%

Publicado em 10/03/2020, às 22h33
Zanone Fraissat/Folhapress -

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A Bolsa de Valores brasileira teve um pregão de recuperação nesta terça-feira (10), após tombar 12,17% na véspera, a pior queda desde 1998. Nesta sessão, o Ibovespa subiu 7,14%, a 92.214 pontos, na maior alta diária desde janeiro de 2009. A alta foi liderada por Petrobras e Vale.

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O real também voltou a ganhar força. A cotação do dólar comercial caiu 1,69%, a R$ 4,6470. O turismo caiu para R$ 4,8980 na venda. Nesta sessão, o Banco Central vendeu US$ 2 bilhões à vista para dar liquidez ao mercado e reduzir a alta da moeda. No ano, o dólar acumula alta de 15,7% ante o real.

"Ontem [segunda] foi totalmente atípico, porque muitos fundos são obrigados a seguir a política de risco e se desfazem de ações a qualquer custo, mas hoje já refizeram posição. Agora, a pessoa física também está mais consciente, muitos voltaram a comprar hoje [terça]", afirmou Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha, corretora ligada à XP.

Dentro da política de risco, um fundo é obrigado a vender ações caso a queda do Ibovespa atinja determinado patamar, de modo a proteger seus investidores. Segundo Moliterno, este patamar é em torno de 7% a 10% de desvalorização do índice.

Após as fortes quedas, investidores aproveitaram a sessão para ajustar as carteiras, otimistas com estímulos econômicos nos Estados Unidos. O presidente Donald Trump afirmou na véspera que trabalha com a possibilidade de cortar impostos sobre os salários para apoiar a economia diante do surto de coronavírus.

Nesta terça, Trump se reuniu com senadores republicanos para discutir a medida. Segundo agências de notícias, o presidente norte-americano considera duas opções: reduzir os impostos até novembro, época das eleições presidenciais, ou fazer um corte permanente nas taxas.

Um corte nos impostos sobre a folha de pagamento pode incentivar os gastos dos consumidores e auxiliar as famílias que, de outra forma, poderiam ter dificuldades em quitar, pontualmente, pagamentos de aluguel e hipotecas ou pagar contas médicas caso o horário de trabalho dos membros da família sejam reduzidos durante o surto do coronavírus.

Com a iniciativa de Trump, as Bolsas americanas tiveram fortes altas: Dow Jones, S&P 500, e Nasdaq subiram 4,89%, 4,94% e 4,95% cada uma, respectivamente. O contrário aconteceu na Europa. Segundo a Reuters, a chanceler alemã, Angela Merkel, não acredita que seu país precise de plano de estímulo econômico no momento para conter os efeitos econômicos do coronavírus, e sim, injeção de liquidez.

Ainda segundo a agência de notícias, Merkel afirmou que todos os eventos e atividades que não são essenciais na Alemanha deveriam ser cancelados para conter a doença.

Após a divulgação do parecer da líder da maior economia da Europa, índices acionários inverteram o movimento de recuperação e fecharam em queda. O índice Stoxx 50, que reúne as principais empresas europeias, caiu 1,66%. A Bolsa de Paris caiu 1,51% e a de Frankfurt, 1,41%. Londres fechou com leve queda de 0,09%.

Com o aumento de casos do coronavírus, Espanha e Itália tiveram quedas mais expressivas: 3,2% e 3,3%, respectivamente. No Brasil, o otimismo americano deu suporte a recuperação do Ibovespa, que apagou mais da metade das quedas da véspera, quando o circuit breaker foi acionado com queda superior a 10% na abertura do pregão.

Também contribuiu a alta no preço do barril de petróleo. O contrato futuro do tipo Brent sobe 10%, a US$ 37,87, após tombar 24% na segunda.

A Petrobras, que teve a maior queda da Bolsa na véspera e sua pior desvalorização diária da história, perdendo R$ 91 bilhões em valor de mercado, apagou parte da queda. As ações preferenciais (mais negociadas) subiram 8,51%, a R$ 18,36. As ordinárias (com direito a voto), 9,41%, a R$ 17,56.

Já a Vale superou o tombo de 15% da véspera, com alta de 18,45% nesta terça, a R$ 44,81, a segunda maior valorização do Ibovespa, atrás apenas de Via Varejo que disparou 21,29% após cair 17% no pregão anterior.

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