Aposentadoria de tenente é 8 vezes maior que pensão da filha da PM Gisele

Publicado em 08/04/2026, às 14h17
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Terra

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A filha de sete anos da policial militar Gisele Alves Santana, vítima de feminicídio, passará a receber o pagamento da pensão prevista em lei para dependentes menores de 18 anos de servidores falecidos. O valor, no entanto, será oito vezes menor que a quantia recebida pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto --marido da PM e acusado de seu assassinato--, que se aposentou após a prisão.

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O benefício para a menina foi solicitado pela família junto ao Instituto São Paulo Previdência (SPPrev), com base na Lei Complementar 1.354/2020, que regula a previdência dos servidores públicos estaduais. Pelas regras, a pensão deve ser paga de acordo com o tempo de contribuição da mãe à corporação, o que garante um salário mínimo e meio para a criança, cerca de R$ 2.500.

O valor é discrepante em comparação ao que será pago ao tenente-coronel Geraldo Leite, que conseguiu a aposentadoria integral pouco depois de ser preso pelo crime. Na última quinta-feira, 5, a corporação publicou uma portaria de inatividade que diz que, pela lei, ele tem o direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais.

Na prática, o policial foi mandado para a reserva e continuará recebendo o salário que, no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão, foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo. Com os descontos, ele deve receber perto de R$ 21 mil.

Em nota ao Terra na última semana, o advogado Eugênio Malavasi declarou que o acusado alcançou o tempo de serviço e devida contribuição previdenciária para tal feito. “O tenente-coronel tomou uma decisão particular, após ter cumprido, com êxito, sua missão na salvaguarda dos cidadãos, bem como alcançado o tempo de serviço e a devida contribuição previdenciária”. 

O PM já possui mais de 30 anos de contribuição previdenciária e, por isso, pôde recorrer à Justiça para receber a aposentadoria pela São Paulo Previdência. Segundo o secretário executivo da Segurança Pública de São Paulo, o coronel da Polícia Militar Henguel Ricardo Pereira, o salário do policial foi suspenso após a prisão.

À reportagem, o advogada da família da policial Gisele Alves, José Miguel da Silva Junior, confirmou que o pagamento dos valores destinados à filha dela já foi realizado. "Entretanto, os montantes pagos são incompatíveis com o esperado, revelando-se extremamente baixos", declarou. 

Entenda o caso

Réu nas Justiças Militar e comum, ele é o principal suspeito de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam, no Brás, centro de São Paulo. O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro.

O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas foi modificado para morte suspeita após a família da vítima relatar que ela vivia uma relação abusiva, com excesso de controle e ciúmes por parte de Geraldo Neto.

O tenente-coronel nega que tenha matado a esposa e alega que ela atentou contra a própria vida com um tiro na cabeça. Geraldo Neto contou à polícia que a mulher se suicidou depois que ele manifestou a ela o desejo do divórcio.

A polícia afirma que a versão do tenente-coronel não se sustenta e que Gisele foi assassinada pelo marido, ou seja, foi vítima de feminicídio. A conclusão foi feita com base em uma série de indícios técnicos que a perícia encontrou durante a apuração do caso.

Entre as evidências estão marcas de unha na região do pescoço e do rosto de Gisele; manchas de sangue dela no banheiro, na bermuda e na toalha de Geraldo Neto; a maneira como a arma foi encontrada na mão da vítima e o modo como o corpo da policial estava disposto no chão, indicando uma provável 

Outro importante elemento explorado pelos investigadores foi a relação do casal. A Polícia Civil extraiu as mensagens trocadas por Geraldo Neto e Gisele, e o que eles encontraram foi o retrato de um casal que vivia com constantes brigas, instabilidade, mas também o de uma mulher submetida a um casamento de muito controle, submissão e ciúmes.

Para a polícia, esses diálogos desmentiram a versão do tenente-coronel de que ele desejava o divórcio. O interesse pela separação, na verdade, partia de Gisele e era Geraldo quem impunha uma resistência a esse término.

A corregedoria da Polícia Militar também abriu uma investigação e tanto a Justiça Militar como a Justiça Comum decretaram a prisão do tenente-coronel. Geraldo Neto foi detido no dia 18 de março e aguarda julgamento.

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