Aras bate boca com procuradores que o criticaram por fala sobre a Lava Jato

Publicado em 01/08/2020, às 10h12
Agência Brasil -

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O procurador-geral da República, Augusto Aras, bateu boca hoje com procuradores durante uma reunião remota do Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal). O PGR foi criticado por suas recentes declarações sobre a Operação Lava Jato, que, segundo ele, teve um papel relevante, mas "deu lugar a uma hipertrofia" e tem "desvios".

O primeiro a falar foi o subprocurador-geral da República, Nicolao Dino. Ele lia uma manifestação elaborada em conjunto com outros subprocuradores quando foi interrompido por Aras.

"Vossa Excelência, com o peso da autoridade do cargo que exerce, e evocando o pretexto de corrigir rumos ante a supostos desvios das forças-tarefas, fez graves afirmações em relação ao funcionamento do Ministério Público Federal em debate com advogados", começou Dino.

Aras, então, rebateu, afirmando que a sessão era voltada às discussões sobre o orçamento e que, portanto, "não será um palco político de Vossa Excelência e de ninguém".

Dino disse que o PGR estava cerceando seu direito à manifestação, acrescentando que o regimento interno lhe garantia o uso da palavra no início da sessão: "Vossa Excelência quer estabelecer um monólogo e não um diálogo. Isso nunca aconteceu na história deste colegiado".

Aras não cedeu, reforçando que o subprocurador poderia voltar a falar sobre o assunto ao final da reunião. "Após a sessão do orçamento, Vossa Excelência terá a palavra e eu irei replicar os pretextos de Vossa Excelência, e o farei com documento de que disponho em mãos para acabar com qualquer dúvida acerca dos fatos", insistiu o PGR. "Após a sessão, teremos a sessão ordinária, e Vossa Excelência poderá falar à vontade."

Aras também acusou colegas de vazarem manifestações à imprensa, pediu que as considerações fossem deixadas para o final da sessão e adiantou que pretende rebater os questionamentos com documentos.

Os subprocuradores-gerais Luiza Frischeisen e José Adonis Callou intervieram na discussão, defendendo a leitura do documento por Dino.

"Não vejo qualquer impedimento para que o conselheiro manifeste sua opinião sobre temas caros à instituição e que estão na pauta, que foram objeto de manifestações públicas de Vossa Excelência [Aras] em debate com outras instâncias", argumentou Callou.

O bate-boca só terminou quando o subprocurador-geral José Elaeres pediu a palavra, sugerindo que os participantes seguissem com as discussões sobre o orçamento e que, ao final, se manifestassem sobre outros assuntos.

Aras encerrou bruscamente a sessão: após declarar seu fim, levantou-se da cadeira e deixou falando sozinhos os participantes.

"MP desacreditado"

O documento assinado pelos subprocuradores aponta que as declarações de Aras "alimentam suspeitas e dúvidas" sobre a atuação do MPF.

No início da semana, Aras declarou que a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba tem mais dados armazenados que todo o sistema único do Ministério Público Federal. E que esses dados contêm informações sobre 38 mil pessoas. No dia seguinte, afirmou que "é hora de corrigir os rumos para que o lavajatismo não perdure".

"A fala de S. Exa. não constrói e em nada contribui para o que denominou de 'correção de rumos'", afirmam os subprocuradores. "Por isso, não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a Instituição como um todo - expressando, por que não dizer, nossa perplexidade -, principalmente por se tratar de graves afirmações articuladas por seu Chefe, que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado".

"Um Ministério Público desacreditado, instável e enfraquecido somente atende aos interesses daqueles que se posicionam à margem da lei", afirma o texto que, além de Dino, Frischeisen e Callou, é assinado também por Nívio de Freitas Silva Filho.

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