Argentina: Milei tem 47% de reprovação e 40% de aprovação após os primeiros 100 dias

Publicado em 19/03/2024, às 21h36
Fotoarena / Folhapress -

Estadão Conteúdo

Entre reveses no Congresso, metas ambiciosas, superávits conquistados e desvalorização do peso, o ultraliberal Javier Milei chegou ao centésimo dia como presidente da Argentina com um governo divisor de opiniões - 47% dos argentinos enxergam a gestão de forma negativa e 40% de maneira positiva, revelou uma pesquisa realizada pelo instituto Equipo Mide e divulgada pelo Clarín nesta terça-feira, 19.

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A gestão foi avaliada como muito ruim (34%), muito boa (21%), boa (19%), regular (13%) e ruim (13%), segundo o estudo, que realizou 1.674 entrevistas entre 4 e 12 de março. Questionados sobre para qual direção o país está seguindo sob gestão de Milei, a falta de unanimidade ficou ainda mais clara: 50% avaliaram como correta, e 50% como equivocada. A margem de erro, segundo o Clarín, é de cerca de 2,4%.

Ainda que o sentimento perante a atual situação política e econômica da Argentina mais escolhido entre o entrevistado tenha sido positivo ("esperança", com 25%), mais sentimentos negativos apareceram no quadro geral: "incerteza" (23%), "raiva" (19%), "medo" (10%) ou "decepção" (7%). Onze por cento ainda disseram estar esperançosos.

Economia preocupa - A inflação continua sendo a maior preocupação entre os argentinos (24%), seguida pela pobreza (18%) e pela corrupção (10%). Quarenta e seis por cento dos entrevistados estimam que a inflação será mais alta nos próximos meses e 28% acreditam que o índice cairá. Porém, somente 21% deles atribuem a responsabilidade da inflação diretamente a Milei - 50% deles relacionam Alberto Fernández e Sergio Massa, e 29% a Milei e Massa.

Em dezembro, o presidente argentino liberou preços e contratos de aluguel e desvalorizou o peso em mais de 50%, provocando inflação de 25,5% em dezembro, que esfriou para 20,6% em dezembro e, em fevereiro, para 13,2%.

Quanto às medidas econômicas propostas por Milei, há uma polarização clara (48% a favor e 52% contra), embora a maioria (33%) diga que se sente afetada e que não terá dinheiro suficiente para cobrir seus gastos e 17% diga que não o afeta, mas que pode afetar. Nesse sentido, os ajustes feitos pelo ultraliberal serão mais sentidos "pelos que menos têm", acreditam 66% dos respondentes.

A dolarização, uma das propostas mais exaltadas por Milei durante sua campanha ao pleito, é rejeitada por 44% dos argentinos, que se descrevem como "muito em desacordo", contrastando com 20% que se dizem "muito em acordo".

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