Flávio Gomes de Barros
Ganharam grande repercussão na mídia nacional as imagens de um vídeo divulgado nas redes sociais por uma empresa de turismo de Alagoas mostrando "o antes e o depois" da vista do mar a partir da Rota do Mar, em Guaxuma, no litoral norte de Maceió.
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As imagens exibem a paisagem original e também outra, do mesmo local, registrando a construção de um edifício residencial bastante alto.
A verticalização desenfreada na região reacendeu o debate sobre a necessidade de ser aprovado o novo Plano Diretor, em tramitação na Câmara Municipal de Maceió, e mereceu artigo do arquiteto Dílson Ferreira, professor de urbanismo da Universidade Federal de Alagoas, no portal "082Notícias".
"Praias, restingas, dunas, coqueirais, corredores de ventilação, visadas para o mar e paisagens naturais não são terrenos vazios à espera de empreendimentos. São elementos ambientais, culturais e urbanos que formam a identidade de uma cidade, especialmente de uma cidade turística como Maceió", afirma Dílson em seu artigo.
E acrescenta o professor:
"É preciso compreender que esses elementos cumprem funções importantes: protegem ecossistemas frágeis, como restingas, dunas e áreas costeiras; garantem conforto ambiental, ventilação, sombra e equilíbrio climático; preservam a memória urbana, a identidade coletiva e a relação da população com o mar e seus corpos hídricos (lagos, lagunas, mangues e riachos)."
Dílson Ferreira encerra seu texto reafirmando:
"Em Maceió, proteger a vista do mar, das lagunas das restingas, os corredores de ventilação e as paisagens afetivas significa proteger a própria identidade da cidade. A paisagem não pode ser cercada, bloqueada, vendida ou transformada em mercadoria de um único setor. A paisagem pertence à coletividade, e não apenas ao mercado imobiliário."
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