Flávio Gomes de Barros
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Jornalista Rodolfo Borges:
"A indicação de André Mendonça por Jair Bolsonaro, em 2021, consolidou uma era de indicações políticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Outros presidentes já tinham indicado aliados ao STF, como Fernando Henrique Cardoso no caso de Gilmar Mendes e Lula no caso de Dias Toffoli, mas um ministro do STF nunca tinha sido indicado como uma forma de sinalização política até Mendonça.
Depois de Mendonça, vieram Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, também pelas mãos do petista, e se consolidou no Supremo esse ar de facções políticas que degrada o tribunal atualmente.
É de se compreender que todas as decisões de Mendonça sejam interpretadas, portanto, do ponto de vista político — e é até prudente encará-lo assim. Mas não se pode cair na armadilha de tentar igualá-lo ao colega Alexandre de Moraes ao analisar o que ocorre no inquérito do Banco Master.
O esquisito relatório apócrifo da Polícia Federal (PF) usado por Moraes para acusar Mendonça de intenções políticas na condução do processo faz análises totalmente enviesadas, que reverberam a narrativa que o próprio Moraes pretende impor sobre a condução de Mendonça, e nem sequer serve para embasar as suspeitas que o marido de Viviane Barci de Moraes tenta lançar sobre o colega.
Ao semear dúvidas sobre a conduta de Mendonça, Moraes tenta diluir as dúvidas sobre sua própria conduta, que não foram lançadas pelo colega de STF, mas pelas mensagens reveladas por uma investigação policial — e por meio de um relatório que seguiu os procedimentos formais.
O relator do inquérito das fake news tenta bagunçar o jogo, virar o tabuleiro, e, ironicamente, conta com uma rede de desinformação nas redes sociais e em alguns veículos de imprensa que pretende desqualificar Mendonça, já que não parece possível explicar a relação com Daniel Vorcaro.
Essa rede de desinformação — ou contrainformação — usa de tudo para desgastar Mendonça.
Os defensores de Moraes sugerem que ele ganhou ternos, que tenta proteger aliados — nesse caso, simplesmente omitem que ocorreram uma fase da Operação Compliance Zero contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e uma contra o senador Ciro Nogueira (PP-AL), que eles mesmos identificam como aliados de Mendonça —, que se reuniu com Vorcaro no passado e que seu instituto de educação, do qual se afastou agora, firmou contratos sem licitação.
Diante de cada acusação, Mendonça se explica, publicando as notas dos ternos que comprou, ou toma alguma atitude, como deixar a sociedade do instituto, ao contrário do que faz Moraes, que, aparentemente, só consegue se defender atacando.
Questiona-se também o timing do relator do caso do Master, mas o fato é que essa investigação só chegou a Moraes agora graças à iniciativa de Mendonça, o que reforça as suspeitas sobre a direção da Polícia Federal — e o telefone celular de Moraes segue sem passar por qualquer perícia.
O caso Dark Horse, que complicou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pode ser decisivo para dissipar as dúvidas que rondam a atuação de Mendonça, e, a julgar pelo que tem ocorrido em Brasília, se houver tentativa de blindagem, ela vai acabar sendo exposta de alguma forma.
O ministro 'terrivelmente evangélico' de Bolsonaro está destinado, como tantos outros colegas de STF, a ser encarado sempre com desconfiança, mas não se pode igualá-lo a Moraes, nem de longe.”
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