Ataque à caravana de Lula gera embate no plenário do Senado

Publicado em 28/03/2018, às 13h30

Redação

A sessão do plenário do Senado desta quarta-feira (28) foi tomada por um debate em torno do ataque a tiros à caravana que levava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Paraná. Houve embate entre posições de parlamentares de esquerda e direita e troca de acusações de senadores.

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Durante a discussão, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a senadora Ana Amélia (PP-RS) "é um pouco responsável pelos tiros no ônibus do presidente Lula".

Em convenção partidária no fim de semana, Ana Amélia fez elogios às reações de parte da população à passagem da caravana de Lula pelo Rio Grande do Sul.

"Botou a correr aquele povo que foi lá, levando um condenado para se queixar da democracia [...] Atirar ovo, levantar o relho [chicote], levantar o rebente para mostrar onde está o Rio Grande, onde estão os gaúchos", disse no evento.

Na sessão desta quarta, Ana Amélia justificou que a fala foi dentro de um ambiente do partido, para dar recados claros sobre o ano de 2018. Ela disse condenar qualquer tipo de violência e questionou parlamentares que precisam explicar a "roubalheira" na Petrobras, mas não se pronunciaram sobre as ameaças relatadas pelo ministro Edson Fachin, relator da operação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na tribuna do plenário, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) fez críticas ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que disse que o PT "colhe o que planta". Para ela, a afirmação alimenta o clima de ódio e expressa "descompromisso" do PSDB com a democracia.

FASCISTAS

Fátima Bezerra ainda chamou de fascistas os autores dos tiros à caravana do ex-presidente.

"A escolta policial não foi garantida, diferentemente, inclusive, do ocorrido lá no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Dessa forma, milicianos fascistas sentiram-se livres para atentar contra a vida do ex-presidente Lula e contra todas as vidas que estavam dentro daquele ônibus", disse, ao cobrar a responsabilização das autoridades competentes.

Em resposta, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) disse que condena a violência e que a democracia não é disputada na arma. Em seguida, o tucano acusou membros da esquerda de incitar a violência.

"Da mesma forma que eu condeno essa violência, eu condenei lá atrás, quando no Palácio do Planalto, ao lado da presidente da República afastada [Dilma Rousseff] e das mais elevadas autoridades da República, uma liderança do MST falou claramente que, se tivesse que defender, poderia e deveria pegar em armas, conclamando, mobilizando", disse.

"Lá atrás, houve uma incitação ao lado nada mais, nada menos que da presidente da República. E não houve manifestação de condenação à época desse tipo de postura, que também é condenável", afirmou.

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