‘Até o PM correu’, diz morador sobre morte após show do Olodum

Publicado em 12/08/2019, às 15h45
Tailane Muniz/Correio 24 horas -

Correio 24 horas

O Centro Histórico estava movimentado com eventos nas praças e largos do ponto turístico, incluindo o último show da temporada de ensaios da banda Olodum. O final da noite deste domingo (11), no entanto, reservou momentos de tensão aos turistas e baianos que transitavam no local. 

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O relógio marcava pouco mais de 18h30 quando dois homens, a bordo de uma moto, chegaram à Rua Padre Agostinho Ramos - um dos principais acessos ao Pelourinho -, e dispararam pelo menos oito tiros na direção de Bruno Farias Conceição, 25 anos, que morreu no hora. Ele havia acabado de ver o Olodum, na Praça Tereza Batista 

Na manhã desta segunda-feira (12), quando esteve no local, a reportagem já não encontrou vestígios do crime - que, segundo testemunhas, aconteceu num espaço de tempo de dois minutos. Morador da região há 30 anos, o aposentado Raimundo Nonato Farias, 59, relatou o que viu e ouviu.

"O rapaz era conhecido nosso, andava muito aqui. Vi ele passando com os amigos, e os caras chegando, depois disso foi só tiro, muitos tiros”, lembra ele, ao comentar que a vítima era conhecida na região.

Os atiradores, segundo ele, sequer desceram da moto ou tiraram o capacete. “Pelo mesmo local que chegaram, saíram”.

O aposentado, que costuma “olhar o movimento”, especialmente em dias de festas no Largo, disse que quem estava ali, tentou fugir: “Foi um desespero triste, os amigos dele saíram também. Até o policial que estava sozinho no módulo correu. Quem fica?”, indaga ele, ao informar outros detalhes do momento do homicídio.

Investigações 

Embora alguns moradores defendam a conduta de Bruno - que caiu ao lado da própria moto, onde sequer teve tempo de subir -, de acordo com Raimundo, algumas pessoas que se aglomeraram na rua comentaram que a motivação teria relação com o tráfico de drogas.

Procurada, a Polícia Militar informou que “após constatar a ocorrência, realizou o isolamento da área e solicitou os agentes do Departamento de Polícia Técnica (DPT) para remoção”. A corporação acrescentou que realizou rondas na região, mas não encontrou suspeitos. 

A Polícia Civil informou que o crime é investigado pela Delegacia de Homicídios Bahia de Todos os Santos (DH/BTS). A autoria e a motivação do crime, no entanto, ainda não são conhecidas. A pasta informou que as testemunhas deverão ser intimadas a comparecer ao DHPP para prestar depoimentos nos próximos dias.

O Correio 24 horas encontrou pelo menos seis PMs nas imediações da cena do crime, nesta segunda, mas eles optaram por não falar. A presença dos militares em número - e fora do módulo -, reiteram os moradores, não é comum. “Estão aí, assim, porque teve o caso ontem. Mas pode chegar aqui em outro momento e vai encontrar eles distraídos”. 

Policiamento

Em nota, a PM informou que o policiamento na região do Centro Histórico/ Baixa dos Sapateiros é realizado “diurnamente” pelo 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), que emprega “entre outras ações viaturas do policiamento ordinário, motopatrulhamento e guarnições do Pelotão de Emprego Operacional Tático (Peto), realizando abordagens e rondas na região”. 

A corporação acrescentou que a unidade conta, ainda, com o policiamento ostensivo a pé, realizado por policiais militares do Batalhão Especializado de Polícia Turística (Beptur), da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT) Rondesp BTS e uma Base Móvel de Segurança, localizada no Tabuão, com presença de duplas de PMs - onde Bruno foi morto.

“A Corporação orienta a comunidade, que ao observar suspeitos ou ações delituosas na região, pode ligar para o 190 ou o disque denúncia (3235-0000) e informar situações adversas. Também é importante que registre a queixa na Delegacia da área, pois o policiamento é estabelecido de acordo com a mancha criminal”, conclui o documento.

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