Até que a morte nos separe: violência contra a mulher é tema de quadrilha alagoana

Publicado em 16/06/2025, às 13h35
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Gilson Monteiro

Festas juninas também é momento de reflexão e conscientização. A quadrilha alagoana Amanhecer no Sertão está abordando a violência contra a mulher em suas apresentações deste ano. Sem perder o brilho e encantamento do espetáculo junino e usando uma linguagem teatral, o grupo tem emocionado o público apresentando o tema “Até que a morte nos separe”, inspirado em histórias reais.

Estão no roteiro o machismo do homem que não aceita o fim do relacionamento, as agressões físicias e a mulher que se encoraja e denuncia a violência.

Bruno Melo, um dos diretores, fala do impacto que o espetáculo tem causado por onde passa. “Tem sido uma experiência muito forte para todo mundo que faz parte do grupo. Desde as primeiras apresentações, a gente percebeu o impacto que esse espetáculo estava causando. E não é só o público que se emociona. Durante a própria apresentação, não são poucos os momentos em que a gente vê os próprios dançarinos chorando em cena. A história toca cada um de um jeito, porque infelizmente é uma realidade que ainda está presente na vida de muitas pessoas”, contou, em entrevista ao TNH1.

“A grande maioria das pessoas tem demonstrado apoio e reconhecimento. São muitos relatos sobre a importância da mensagem que estamos trazendo. Muitas mulheres estão contando que já passaram por situações como as que mostramos no espetáculo. E muita gente está destacando também a importância de divulgar formas de denúncia, de mostrar que há caminhos para romper o ciclo da violência. A gente sabia que era um tema delicado, mas ver tanta gente se identificando, se sentindo representada e acolhida, só reforça que estamos no caminho certo”, ressalta.

Assista a um trecho do espetáculo. 

 

A estacolha do tema – Bruno Melo diz que a temática deste traz a conexão com o público que a “Amanhecer no Sertão” carrega em seu DNA.

“A gente sempre teve essa preocupação de se conectar com o público por meio do nosso espetáculo. E, depois da pandemia, isso ficou ainda mais forte. A gente entendeu que era importante trazer temas que realmente fazem parte do nosso dia a dia e que impactam diretamente as nossas vidas. Em 2022, por exemplo, já tínhamos colocado a figura da mulher no centro do enredo, destacando a urgência de que elas ocupem todos os espaços que são seus por direito”, explica.

“Agora, em 2025, o nosso projetista, David Perdigão, trouxe a proposta de falar sobre violência contra a mulher. Desde o início, a gente sabia que seria um tema delicado, mas também muito urgente. Infelizmente, essa é uma realidade que ainda atinge muitas mulheres e que está cada vez mais presente nas notícias. A gente escolheu encarar esse desafio porque acredita que a cultura popular também é lugar de reflexão. Mesmo em meio à festa, a gente precisa lembrar que muitas mulheres ainda não têm o direito de viver e celebrar com segurança. Então, o nosso espetáculo também é por elas”, acrescenta.

Próximas apresentações

E como junho está só começando, ainda dá tempo de conferir o espetáculo da “Amanhecer”e de outras quadrilhas alagoanas.

Além de espetáculos privados, o grupo vai se apresentar em espaços públicos. Confira a agenda:

Dia 18 - Grande festival de Quadrilhas Juninas (Mercado 31 - Jaraguá, Maceió)
Dia 26 - Ginásio do Colégio Fantástico (etapa do circuito alagoano)
Dia 28 - Lar São Domingo ( etapa do circuito alagoano). 

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