Redação EdiCase
O ritmo acelerado do dia a dia e o tempo excessivo sentado em frente às telas têm se tornado cada vez mais comuns, contribuindo para hábitos sedentários. Segundo levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 47% dos brasileiros são considerados sedentários, pois não atingem a recomendação mínima de 150 minutos semanais de atividade física estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os jovens, o cenário é ainda mais preocupante: o índice chega a 84%.
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Além de estar associado a doenças cardiovasculares e metabólicas, a falta de atividade física também pode influenciar o funcionamento do intestino, favorecendo sintomas como gases, distensão abdominal e prisão de ventre.
Segundo o gastroenterologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Luiz Bertoncello, a relação entre movimento e digestão é próxima e envolve diferentes mecanismos do organismo. “O sedentarismo pode reduzir o funcionamento natural do intestino: enfraquece a musculatura abdominal, diminui o fluxo de sangue na região intestinal e interfere na liberação de substâncias que estimulam os movimentos do trato digestivo. Com isso, o intestino tende a ficar mais lento. Por essa razão, pessoas sedentárias têm de duas a três vezes mais risco de sofrer com constipação”, explica.
A falta de atividade física pode favorecer alterações no trânsito intestinal, como a redução do tônus da musculatura abdominal, o que dificulta a progressão das fezes e a permanência mais prolongada do conteúdo no cólon, situação que pode intensificar a fermentação bacteriana e a produção de gases. Permanecer muitas horas sentado também contribui para esse cenário.
“A posição sentada comprime a região abdominal, altera o ângulo mais adequado para a evacuação e pode enfraquecer gradualmente o assoalho pélvico. Estudos indicam maior frequência de sintomas de constipação em quem passa longos períodos sentado”, afirma o médico.
A prática regular de exercícios tende a atuar como aliada do intestino. “O movimento corporal gera estímulos na parede intestinal, ativa o sistema nervoso parassimpático e melhora a circulação local, o que pode favorecer o trânsito intestinal”, explica Luiz Bertoncello.
Outro aspecto importante é a relação entre atividade física e microbiota intestinal. “O exercício está associado ao aumento da diversidade de bactérias benéficas e à produção de substâncias importantes para a saúde intestinal, como os ácidos graxos de cadeia curta. Já o sedentarismo pode estar relacionado a um desequilíbrio da microbiota”, destaca.
O médico reforça que o intestino não depende apenas da alimentação. Mesmo quem mantém uma dieta equilibrada pode sentir os efeitos da falta de movimento. “Alimentação e atividade física atuam de forma complementar. A dieta representa cerca de 40% a 50% da equação intestinal. Sem movimento, o efeito das fibras e da hidratação pode não ser plenamente aproveitado”, ressalta.
Para estimular o funcionamento intestinal, a orientação é manter exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida leve, ciclismo ou natação, em intensidade moderada, somando, ao menos, 150 minutos por semana. Práticas como yoga, pilates e fortalecimento do core também podem contribuir, ao favorecer a musculatura abdominal e o assoalho pélvico.
Luiz Bertoncello destaca que pequenas mudanças na rotina já podem fazer diferença. Segundo ele, hábitos simples do dia a dia ajudam a reduzir gases e inchaço abdominal, como levantar-se a cada 30 a 45 minutos, fazer caminhadas leves ao longo do dia, praticar respiração diafragmática, realizar alongamentos com torção, que estimulam o peristaltismo, e manter, sempre que possível, um horário regular para evacuar.
“O sedentarismo é um fator de risco modificável para alterações intestinais. A atividade física atua em diferentes níveis do organismo, e os benefícios podem ser percebidos em poucas semanas. Em muitos casos, o movimento faz parte do cuidado com a saúde intestinal”, finaliza o médico.
Por Aline Telles
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