Ato com Bolsonaro terá discurso duro e bonecos gigantes de Moraes e Pacheco

Publicado em 07/09/2024, às 10h43
O pastor Silas Malafaia é o organizador da manifestação | Foto: Arquivo PR / Isac Nóbrega -

UOL

O protesto do 7 de Setembro com a presença de Jair Bolsonaro (PL) na avenida Paulista será marcado por duros ataques de apoiadores do ex-presidente a Alexandre de Moraes, ministro do STF, e Rodrigo Pacheco, o presidente do Senado — ambos serão representados por bonecos gigantes.

LEIA TAMBÉM

O pastor Silas Malafaia, organizador da manifestação prevista para as 14h deste sábado (7), diz que fará seu discurso "mais duro e incisivo". "A força da fala vai ser o impeachment de Alexandre de Moraes", afirma. Ele é aliado de Bolsonaro e foi responsável pela coordenação de outras manifestações bolsonaristas. Oposição no Senado diz que apresentará no dia 9 o pedido de afastamento do ministro Supremo Tribunal Federal.

Além do ex-presidente, deputados e senadores devem falar. A previsão é que Bia Kicis (PL-DF), Nikolas Ferreira (PL-MG), Gustavo Gayer (PL-GO), Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) discursem — o evento tem previsão de durar ao menos uma hora e meia. Como em outras ocasiões, Bolsonaro deve ter uma fala mais contida, já que é investigado em diferentes ações no STF.

Se em 2023 os atos tiveram pouca participação, os bolsonaristas agora esperam "lotar a Paulista", assim como fizeram em fevereiro passado. O coro ganha mais força, segundo eles, com as reportagens da Folha de S.Paulo que mostraram que Moraes usou a estrutura do TSE para abastecer inquéritos no STF que estão com ele. A decisão do ministro em suspender o X (ex-Twitter) reforçou o apelo para que bolsonaristas participem do ato contra Moraes.

O pedido de impeachment que deve ser apresentado por senadores da oposição cita o X seis vezes. Há uma citação ampla mencionando perfis em redes sociais. Os demais tratam do bloqueio das contas do Starlink, multas a quem usar a VPN para acessar a rede social e o fechamento do X.

Desta vez não houve proibição para cartazes na manifestação, diferentemente des atos anteriores. Em fevereiro, havia o temor de que faixas contra Moraes aumentassem a pressão para uma possível prisão de Bolsonaro. "O povo é livre. É uma manifestação pelo estado a liberdade, e eu não vou impedir [as pessoas de levar o que quiserem]", disse Malafaia.

Oposição pressiona Pacheco (PSD-MG) a avaliar o pedido de afastamento de Moraes. A eventual abertura de processo de impeachmente contra ministros do STF depende dele — inicialmente, o protesto de 7 de setembro ocorreria em Belo Horizonte, base eleitoral do presidente do Senado.

Moraes será chamado de "assassino da Constituição" no segundo trio que estará na Paulista. O veículo ficará em frente ao Conjunto Nacional e será levado pelo Movimento Fora Moraes, coordenado pelo ex-comentarista da Jovem Pan e professor de direito Marco Antônio Costa.

Os bonecos de Moraes e Pacheco serão colocados próximo desse trio. Eles levarão frases como "Fora Moraes" e sobre "omissão" e "covardia" do presidente do Senado. A tática do boneco gigante foi usada pela direita no movimento de impeachment de Dilma Rousseff (PT). O boneco pixuleco, termo usado como sinônimo de propina, era uma representação de Lula.

Marco Antônio Costa disse que o Brasil vive um "regime autoritário patrocinado por Moraes". O organizador do ato afirma que não tem medo de ser preso e que precisa denunciar as atitudes do ministro do STF.

Serão distribuídos 200 mil cartazes com a imagem de Pacheco e Moraes. Os discursos contra o ministro serão feitos por figuras conhecidas da direita radical, como Allan dos Santos, Rodrigo Constantino, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), entre outros.

Há expectativa de atos em mais cidades pelo país. Responsável por apresentar o pedido de impeachment de Moraes, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse que esses protestos também serão "sem filtro" e que pedirão o afastamento do ministro.

O parlamentar declarou que não se trata de ataque, mas de direito à manifestação. Ele ressaltou que Bolsonaro tem falado em defesa da liberdade e da democracia sem citar Moraes. O ex-presidente é investigado em inquéritos que estão sob o comando do ministro.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Após denúncia de Rui Palmeira, Câmara de Maceió determina recadastramento de servidores Brasil repete sua segunda pior nota da série histórica em índice global de percepção da corrupção Entidades pedem veto de Lula ao PL dos supersalários na Câmara e no Senado Valdemar reforça confiança política em JHC