Atos cobram respostas sobre mandante da morte de Marielle e Anderson

Publicado em 14/03/2019, às 19h56
Integrantes do MTST se reuniram em ocupação em Maceió | Cortesia/Josian Paulino -

Redação com Folhapress

A frase que se notabilizou no último ano, "quem matou Marielle?", se transformou nesta quinta-feira (14). A pergunta que se espalhou por cidades do Brasil e do exterior agora é "quem mandou matar Marielle?".

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A frase está em placas e faixas que lembram o um ano da morte da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. As intervenções fazem parte dos atos "Amanhecer por Marielle".

O ocupação Dandara, no bairro Benedito Bentes, foi o centro de encontro em Maceió. Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e lideranças políticas realizaram atividades em memória da vereadora carioca pelo PSOL.

Em São Paulo, faixas foram colocadas na avenida Rebouças, na altura do Hospital das Clínicas, e placas de rua foram cobertas com adesivos com os dizeres "Marielle Presente" e "Avenida Quem Mandou Matar Marielle?".

As trocas de placas ocorreram nas esquinas da avenida Paulista com a Consolação, da rua Augusta com avenida Paulista e na esquina das alamedas Barão de Limeira e Eduardo Prado, além da estação de metrô Ana Rosa.

O rosto da vereadora assassinada se transformou em ícone da luta por justiça e se espalhou em grafites por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Lisboa, Buenos Aires, e Ferrara, na Itália.

Nesta semana, a dois dias do crime completar um ano sem solução, a Polícia Civil do Rio prendeu na terça-feira (12) dois suspeitos de participarem do assassinato da vereadora. São eles: o policial militar reformado Ronnie Lessa, 48, e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, 46. Ambos negam participação no crime.

Segundo a denúncia, Lessa disparou os tiros que mataram Marielle, e Queiroz dirigiu o carro que interceptou a vereadora, de onde partiram os disparos.

O delegado titular da Delegacia de Homicídios do Rio, Giniton Lages, disse em entrevista coletiva que as investigações do caso ainda estão no início. Mas a segunda fase já foi deflagrada, com a expedição de ao menos 34 mandados de busca e apreensão que visam determinar se há mandantes para o crime e qual a motivação exata do assassinato.

Na mesma entrevista, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), declarou que Lessa e Queiroz poderão receber uma oferta para fazerem delação premiada.

Zimel Press/Folhapress

Mandante

Mônica Benício, viúva de Marielle Franco, disse à reportagem que considera a operação um passo importante nas investigações, mas lamentou que ainda não haja respostas a respeito de eventuais mandantes.

"Não basta prender mercenários, é importante saber quem mandou articular tudo isso e qual foi a motivação", afirmou, acrescentando que, apesar da lentidão das investigações, mantém a esperança de que essas respostas cheguem.

"O Brasil hoje deve satisfação ao mundo. Não há, para mim, a possibilidade de isso não ser respondido. Não é só pela preservação da memória da Marielle, mas pela garantia da nossa democracia."

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Marielle foi morta em razão de sua militância em favor dos direitos humanos. Os investigadores identificaram ainda que Lessa, o policial reformado responsável pelos disparos, fez pesquisas sobre a rotina de Marielle e sobre eventos de que ela participaria semanas antes do crime.

Ele também teria pesquisado sobre outras figuras da esquerda, como o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), próximo a Marielle. De acordo com o delegado Lages, a motivação de Lessa foi torpe. "Ele revela diferenças ideológicas de forma violenta", afirmou.

Ainda não está claro, no entanto, se o crime foi articulado espontaneamente pelo policial militar reformado ou se ele foi pago por um mandante para assassinar Marielle.

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