O Tempo
Áudios atribuídos a uma interlocutora da família de Eliza Samudio mostram parte das negociações entre ela e o goleiro Bruno Fernandes para viabilizar um encontro dele com o filho, Bruninho, de 15 anos. No material, ao qual a reportagem de O TEMPO teve acesso, a mulher afirma que agiu movida pelo carinho ao adolescente, garante que ele aguarda pela visita e pede que o jogador não decepcione o menino novamente. Após o vazamento da conversa, a intermediadora voltou atrás e cancelou o encontro.
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Na conversa, a interlocutora garante o sigilo do encontro e do teor da conversa. A reunião iria acontecer entre ela, pai e filho. “Eu não sei nem como vou dizer isso a ele, porque está preparado para, quando sair do treino, vir para cá conversar com você. Não há intenção nenhuma no mundo de te expor, de alguém te ver. O máximo que pode acontecer é alguém te ver entrar. Pode até descobrir, depois, que você teve um encontro com teu filho; é o máximo que pode vazar. Eu vou te pedir: não decepcione, não faça isso com ele. Ele está esperando por isso desde o dia em que combinei com ele”, explica.
A mulher afirma estar agindo por amor a Bruninho e alerta que Sônia Samudio, mãe de Eliza e tutora do menino, poderia ter impedido o encontro por meio de uma medida protetiva. “Essa iniciativa que tomei foi pelo tanto que amo o Bruninho. Da minha parte, o Bruninho vai continuar vindo para cá, te esperando. Você sabe muito bem que, se a Sônia quisesse, ela teria pedido uma medida protetiva, porque você não pode se aproximar do Bruninho. Eu fiz das tripas coração para que isso acontecesse”, alerta. Ouça.
A interlocutora também avisa que, se o encontro não ocorrer como o combinado, não haverá outra chance. “Se você já o avisou pelo Instagram que não vem, eu vou ficar com muito mais raiva de você. Tudo o que eu fiz, o Bruninho estava escutando. Para mim, qualquer possibilidade de encontro entre você e ele se encerra aqui. Eu tenho escrito e printado o que você disse: ‘qualquer dia, em qualquer lugar’. Venha a esse encontro hoje, porque eu não vou te dar mais nenhuma chance”, garante. Ela completa que, mesmo que o encontro aconteça, o menino não terá convivência com as filhas do goleiro.
“Bruninho jamais vai conviver, enquanto não tiver 18 anos, com irmã nenhuma, até porque você sempre negou publicamente que era o pai dele”, finaliza.
O que diz a defesa de Bruno
A advogada do goleiro Bruno, Mariana Migliorini, confirmou a existência do diálogo e considerou a conversa ameaçadora. Por essa razão, ela orientou que o cliente não fosse ao encontro. Por meio de nota enviada à reportagem, afirmou que o goleiro “vem sendo reiteradamente coagido a comparecer ao encontro” e que “tal comparecimento estaria condicionado a exigências absolutamente incompatíveis com as garantias legais”, representando “evidente risco jurídico e pessoal”. A defesa disse que o contato de Bruno com o filho teria sido proibido pela avó materna do adolescente após o assassinato de Eliza, e que a determinação teria sido respeitada.
O contato entre as duas partes teria sido retomado após o encontro do passaporte de Eliza. A advogada do goleiro disse ainda haver “profundo interesse dele em conversar e se entender com Bruninho, porém em condições saudáveis, sem riscos jurídicos ou interesses escusos”.
A equipe de O TEMPO entrou em contato com a interlocutora à qual os áudios são atribuídos. No entanto, a mulher negou ter feito qualquer ameaça ou tentado a intermediação do encontro. Por essa razão, a identidade dela será preservada nesta reportagem. Sônia, mãe de Eliza, também foi procurada e, até a publicação desta matéria, não havia se pronunciado. O espaço segue aberto.
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