Áudios ameaçadores, queimaduras e mais: vítima de ex-namorado vive ciclo de terror no interior de AL

Publicado em 06/02/2026, às 07h15
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João Victor Souza

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Uma adolescente de 16 anos, moradora do município de Maravilha, no Sertão de Alagoas, vive um pesadelo após episódios de violência extrema que envolvem o ex-namorado, também menor, de 17 anos. Após meses de abusos, a jovem decidiu procurar ajuda e revelar um histórico de tortura física e psicológica. O caso inclui, além de agressões físicas, um ataque com fogo, esganadura e ameaças de morte explícitas.

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Segundo a família, a violência mais grave ocorreu em novembro de 2025. Depois de discussão motivada por um comportamento do agressor — que teria urinado na cama, algo que seria recorrente —, a adolescente foi brutalmente atacada com fogo. O suspeito, de iniciais A. L., deixou marcas de queimaduras graves no corpo da então namorada. 

A mãe da vítima contou ao TNH1, com exclusividade, que as agressões eram constantes, porém a filha não dava detalhes do que sofria para não envolver os parentes. A adolescente havia saído de casa para morar com o jovem dois meses antes de sofrer as queimaduras.

"Eles namoraram por seis meses na escola, e depois ela saiu para morar com ele. Com pouco tempo aconteceu essa situação, dele ter ateado fogo nela, deixando ela toda queimada. Ela ainda continuou com ele, mas agora aconteceu algo grave novamente. Foi aí que minha filha procurou ajuda".

Ainda de acordo com a mãe, a situação atingiu o limite em janeiro deste ano, quando o agressor tentou matar a adolescente por esganadura, além de espancamentos, a forçando a buscar socorro.

Áudios revelam crueldade

Mensagens de voz enviadas pelo agressor demonstram o desprezo pela vítima e pelas autoridades. Em uma das gravações, o menor é direto: "Se você [jovem] pisar dentro de casa, eu mato você e deixo aqui dentro estirada... Faça o teste da minha paciência para você ver o que faço", disse utilizando termos pejorativos para se referir à namorada.

Em outro trecho, ele demonstra a certeza da impunidade: "Se eu for preso, um dia eu saio. Não vou morar lá. Mas quando sair vou fazer 10 vezes pior". Ouça abaixo:

Medo e clamor por Justiça

Atualmente, a adolescente vive em outra cidade para se proteger. Ela tenta reconstruir a vida enquanto o paradeiro é mantido sob sigilo. Embora exista uma medida protetiva em vigor, o sentimento da família é de pânico.


"Estamos desestruturados, com medo de ir e vir. Tanto ele quanto a família dele podem querer fazer algo com a gente. Eu quero ajuda para que a Justiça faça algo e nos proteja".

A mãe da jovem disse que o menor foi ouvido pela polícia nessa semana, mas o temor persiste. Ela relata medo das represálias, temendo que o ciclo de violência se estenda aos demais familiares.

As tentativas de feminicídio estão sendo investigadas. Quem tiver informações que possam colaborar com o trabalho da polícia pode entrar em contato pelo número 181, do Disque Denúncia. O anonimato é garantido ao denunciante, assim como a ligação é gratuita.

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