Bancos pressionam por aumento nos juros do consignado do INSS

Publicado em 19/11/2021, às 15h17
Reprodução -

Folhapress

Os bancos têm feito pressão para aumentar os juros do empréstimo consignado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e apresentaram ao CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social) proposta para elevar as taxas máximas em até 19%. As instituições pedem que os juros máximos cobrados no empréstimo subam dos atuais 1,80% para 2,14% ao mês (alta de 18,9%). Já a taxa do cartão de crédito consignado poderá aumentar de 2,7% para 3,06% (13,3% a mais).

LEIA TAMBÉM

A intenção é colocar os novos limites em votação na reunião do conselho no próximo dia 25, para começarem a ser aplicados por bancos e financeiras. A proposta inicial, recusada por membros do conselho, estabelecia um aumento de quase 30% para o empréstimo e de quase 20% para o cartão de crédito do INSS. Por essa proposta, as taxas subiriam para 2,3% no crédito com desconto na aposentadoria e 3,2% no cartão consignado.

Segundo pesquisa da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o consignado é usado principalmente para aposentados e pensionistas pagarem dívidas e despesas essenciais. A alta dos juros e o aumento do custo para as instituições captarem recursos para o consignado, além de queda na concessão desta modalidade de empréstimo estão entre as explicações dos bancos para o pedido de revisão das taxas. O crédito consignado tem juros menores por ter desconto direto na aposentadoria ou na pensão do INSS. PACOTE DA PANDEMIA

A redução na taxa do consignado e a ampliação do prazo de pagamento integraram pacote de medidas do governo federal em 2020, adotado diante do agravamento da crise econômica durante a pandemia de coronavírus. Em março de 2020, o Conselho Nacional de Previdência Social aprovou a redução dos juros máximos cobrados no empréstimo consignado do INSS, que caíram de 2,08% para 1,80% ao mês. A taxa do cartão caiu de 3% para 2,70%. No pacote também foi autorizada a ampliação no prazo para o aposentado pagar a dívida, que subiu de seis para sete anos.

O que dizem os bancos A Febraban, que representa os bancos, ressaltou, em nota, a importância do consignado na vida do aposentado. "Ele atende particularmente o público de baixa renda, com uma parcela relevante de negativados e não-bancarizados que, não fosse esta alternativa, seriam obrigados a recorrer a outras linhas de crédito com taxas e prazos totalmente incompatíveis com as suas necessidades."

Segundo a entidade, a concessão desse tipo de empréstimo está caindo nos últimos meses (de R$ 9,37 bilhões em abril para R$ 7,18 bilhões em outubro, segundo dados do Banco Central fornecidos pela Febraban). "Sem crédito consignado, os aposentados são obrigados a recorrer a linhas de crédito mais caras, inclusive com risco de procurar agiotas", afirma.

"O principal custo das operações de crédito consignado é o de captação que as instituições financeiras possuem para ofertar o produto. Manter as taxas atuais de juros do consignado, diante da piora considerável desses custos -com a inflação superior a 10%, atual nível da Selic e com tendência de alta, e, ainda, com o DI 5 anos em quase 13%- pressiona fortemente os custos para ofertar o produto e impacta diretamente na capacidade dos bancos para concessão dessa importante linha. Os bancos entendem ser importante evitar que o custo de captação e das despesas inviabilizem a concessão de benefícios a uma parcela significativa destes aposentados e pensionistas, particularmente neste período de final e início de ano."

Em ritmo de alta - O Banco Central acelerou o ritmo de alta dos juros e o mercado também tem elevado a expectativa da Selic (que reflete nos juros cobrados de empresas e pessoas físicas) para o ano que vem. A projeção é que a taxa básica da economia encerrará 2021a 9,25% ao ano e em 11% em 2022, segundo pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central. O Itaú passou a projetar uma Selic de 11,75% no primeiro trimestre de 2022. A taxa atual, de 7,75%, é a maior em quatro anos e o Banco Central indicou novo aumento na próxima reunião, no início de dezembro, para ao menos 9,25% ao ano.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Dólar sobe e petróleo dispara com ataque militar ao Irã; entenda Quem deve declarar o Imposto de Renda 2026? Veja o que se sabe até agora sobre as regras Empresas têm até este sábado para enviar dados salariais por gêneros Receita paga lote da malha fina do Imposto de Renda de fevereiro