Baque Mulher Maceió comemora 2 anos de fundação em 24 de agosto

Publicado em 21/08/2025, às 17h36
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Redação

No dia 24 de agosto, o Maracatu Baque Mulher Maceió comemora seu segundo ano de existência com muito axé e empoderamento feminino. A comemoração acontece a partir das 15h00, na Escola Estadual Professora Erotildes Rodrigues Saldanha (Feitosa), onde o Baque Mulher realiza seus encontros semanais. 

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Na programação, além do bate papo com a professora Elaine Lima (Ifal), sobre o tema “Eu-mulher: Território de Lutas e Liberdade”, haverá um momento para prestigiar as “femenageadas” Joyce Nobre, Suham Torres, Mãe Gesse de Oxum e Zeza do Coco, seguida de uma performance conduzida por Suham, da apresentação do Baque Mulher (BM) e do cortejo pelas ruas do Feitosa. Como o Baque Mulher é um movimento de empoderamento feminino por meio do maracatu e da sororidade, a comemoração do seu aniversário não poderia deixar de contar com a presença de mulheres emblemáticas de Maceió. 

A batuqueira Isadora Arcanjo, integrante da ala do agbê, comemora com alegria esses dois anos de existência do Baque: “Ver o BM completar dois anos é sentir, de verdade, o que diz a música tão querida pelo nosso grupo de batuqueiras: Hoje tem alegria. E é mesmo alegria, mas também resistência”. Ela afirma a importância dos maracatus para a memória da resistência negra em Alagoas: “O maracatu, em Alagoas, carrega a memória da quebra do Xangô e de um histórico de repressão que ainda deixa marcas profundas. Para as mulheres, esse caminho sempre foi, e continua sendo, mais difícil: muitas vezes proibidas, invisibilizadas ou tendo sua liderança negada”.

Bárbara Dantas, que assumiu recentemente a coordenação do grupo, também fala da importância do Baque para sua vida: “Posso afirmar que participar do Baque Mulher me devolveu a vitalidade que eu tanto buscava, alinhada ao meu propósito. Passei muitos anos em espaços coletivos, mas me afastei por diversas razões, entre elas: minha saúde mental. Pelo mesmo motivo, sentia a necessidade de retornar a um espaço como este: um lugar de acolhimento e musicalidade. Foi então que, de forma despretensiosa, fui a um evento na Ufal e encontrei o caminho até o BM”.

“Foi, sem dúvida, uma das melhores escolhas que já fiz. Viver a coletividade é força vital para mim e, quando é entre mulheres, essa força se potencializa ainda mais”, afirma Bárbara.

O Movimento Baque Mulher

A presença da mulher no maracatu sempre foi essencial para sua existência e brilho na história da cultura popular brasileira. Porém, por muito tempo, suas funções eram mais concentradas nos bastidores das nações e nas alas de dança. De uns anos pra cá, isso tem mudado de forma significativa para a vida de muitas mulheres dentro do contexto do maracatu.    

Mestra Joana Cavalcante teve e tem uma atuação essencial ao incentivar mulheres a ecoarem seus tambores e cada vez mais ocuparem os cortejos de carnaval, seja na dança ou tocando qualquer instrumento. Em 2008, nas ruas do Recife Antigo, começou a promover encontros entre as mulheres e meninas da sua comunidade para tocar o maracatu, além de terem momentos de confraternização e lazer. Através desses encontros, o debate de que as mulheres sofrem com o machismo e com a violência doméstica dentro da comunidade passou a ser cada vez mais necessário.

Nesse contexto, Mestra Joana fundou o Grupo de Maracatu Baque Mulher. A partir daí, a única Mestra de Maracatu foi se tornando inspiração para outras mulheres que também buscavam se empoderar e superar a realidade de suas comunidades, em seus mais diversos contextos.

Em fevereiro de 2016 nascia mais uma grande ação: Mestra Joana e o Baque Mulher articularam o coletivo Feministas do Baque Virado, hoje chamado de Movimento de Empoderamento Feminino Baque Mulher, que tem por objetivo alinhar posicionamentos e fomentar a partir do maracatu de baque virado, projetos voltados para o empoderamento feminino. Assim, membras do Baque Mulher espalhadas pelo Brasil, e fora dele, se veem motivadas a realizar ações em suas próprias comunidades, suas cidades e suas áreas de atuação, sempre apoiadas nos fundamentos do Baque Mulher e sob orientações de Mestra Joana.

Desde então, mulheres de vários estados têm se identificado com a proposta, somando forças ao movimento que hoje conta com mais de 300 batuqueiras, sendo que a maioria se concentra em Recife, mas outras tantas se encontram difundidas por todo o Brasil e fora do mesmo. Por isso, acredita-se que cada vez mais o grupo Baque Mulher tem ampliado sua rede de intervenção, se tornando um movimento social de alcance nacional e que tem suas ações realizadas em cidades do norte ao sul do país.

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