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Beber um pouco todo dia faz mal? Estudo traz alerta sobre o consumo de álcool

Publicado em 26/10/2026, às 16h41
- Agência Brasil

Galileu

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Beber duas doses de bebida alcoólica por dia pode parecer um hábito moderado, mas está associado a um risco de 1 em 25 de morrer por causas relacionadas ao álcool ao longo da vida. A estimativa faz parte de um estudo publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs que avaliou os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas sobre a saúde da população dos Estados Unidos.

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Segundo os pesquisadores, pessoas que consomem, em média, 14 doses por semana (duas por dia, portanto) apresentam esse risco de mortalidade. Já o consumo de até sete doses semanais foi associado a pequenos aumentos no risco da maioria das condições de saúde avaliadas. Os resultados também indicam que os riscos aumentam à medida que a ingestão de álcool cresce.

Para estimar os impactos do consumo de bebidas alcoólicas, os pesquisadores examinaram mais de 7.200 publicações científicas sobre doenças e lesões associadas ao álcool. A equipe calculou os riscos relacionados a diferentes condições de saúde e combinou essas estimativas com grandes conjuntos de dados nacionais dos Estados Unidos.

A pesquisa, chamada Estudo sobre Ingestão de Álcool e Saúde, foi encomendada pelo governo federal norte-americano para contribuir com a elaboração das diretrizes alimentares nacionais. O trabalho buscou quantificar os efeitos do álcool em diferentes níveis de consumo, considerando tanto doenças quanto mortes prematuras.

“Mesmo baixos níveis de consumo de álcool acarretam riscos à saúde”, afirma Kevin Shield, autor principal do estudo, professor associado da Universidade de Toronto e cientista sênior do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Dependência e Saúde Mental, em comunicado.

Como o álcool afeta a saúde

Com o auxílio de modelos estatísticos, os cientistas avaliaram como diferentes quantidades de álcool consumidas ao longo da vida influenciam a probabilidade de desenvolver doenças graves ou morrer prematuramente.

Entre os problemas considerados estão cânceres de esôfago, de boca e de mama, doenças cardiovasculares, enfermidades hepáticas e lesões. A análise reuniu os riscos associados a essas diferentes condições para estimar o impacto geral do consumo de álcool sobre a saúde.

Os resultados reforçam que não existe um nível de consumo que possa ser considerado completamente isento de riscos. Embora a probabilidade de desenvolver determinados problemas varie conforme a quantidade ingerida, mesmo o consumo baixo pode estar associado a consequências negativas.

Consumo moderado não apresenta benefício significativo

Outra conclusão do estudo questiona a ideia de que beber pequenas quantidades de álcool regularmente pode trazer benefícios à saúde, especialmente para o coração. Algumas pesquisas anteriores sugeriram uma possível associação entre o consumo moderado e um risco menor de determinadas doenças cardiovasculares, como a doença cardíaca isquêmica e o acidente vascular cerebral (AVC). No entanto, segundo os autores, esses possíveis efeitos positivos não compensam os riscos associados a outras condições, incluindo diferentes tipos de câncer.

“Não observamos um efeito protetor significativo do álcool sobre a saúde em nenhum nível de consumo”, afirma Shield. Segundo o pesquisador, mesmo quando a ingestão é de até sete doses por semana, os possíveis benefícios cardiovasculares precisam ser considerados em conjunto com os riscos de outras doenças crônicas.

A avaliação ampla dos desfechos de saúde é importante porque uma substância pode apresentar associações favoráveis com uma condição específica sem produzir benefícios quando seus efeitos sobre o organismo são considerados de forma global.

O que os resultados significam para as recomendações de consumo

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que as estimativas representam riscos observados em populações e não permitem prever com precisão o que acontecerá com cada indivíduo. Além de que fatores como genética, estilo de vida e padrão de consumo podem influenciar as consequências do álcool para a saúde. Assim, duas pessoas que consomem a mesma quantidade podem apresentar riscos individuais diferentes. Os cientistas destacam que ainda existem questões que precisam ser investigadas, como a contribuição exata do álcool para o desenvolvimento de outras doenças, incluindo o câncer de pâncreas.

O estudo também contribui para o debate sobre as diretrizes - dos Estados Unidos, a princípio, mas que também podem ser compartilhadas por outros países. Versões anteriores das recomendações estabeleciam limites diários de até duas doses para homens e uma para mulheres. As diretrizes mais recentes citadas pelos pesquisadores, por sua vez, recomendam limitar o consumo de bebidas alcoólicas sem estabelecer um limite quantitativo específico.

Para Timothy Naimi, coautor do estudo, diretor do Instituto Canadense de Pesquisa sobre o Uso de Substâncias da Universidade de Victoria e professor adjunto da Universidade de Boston, a ausência de um parâmetro numérico dificulta a compreensão dos riscos associados a diferentes quantidades de álcool. O trabalho foi desenvolvido justamente para oferecer estimativas que permitam comparar os efeitos de diferentes níveis de consumo.

Em um editorial publicado junto ao estudo, Robert M. Vincent, ex-integrante da Administração de Serviços de Saúde Mental e Abuso de Substâncias dos Estados Unidos, também questionou a incorporação das evidências científicas às recomendações nacionais. Segundo ele, embora a pesquisa tenha sido solicitada para subsidiar as diretrizes alimentares norte-americanas de 2025 a 2030, suas conclusões não foram consideradas na elaboração do documento.

No conjunto, os resultados reforçam que a relação entre álcool e saúde não pode ser avaliada apenas pela quantidade considerada socialmente moderada. Embora os riscos variem conforme o consumo e as características individuais, a análise indica que reduzir a ingestão diminui a exposição aos danos associados à bebida.

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