Bolsonaro diz que Noruega mata baleia e não tem nada a oferecer ao Brasil

Publicado em 15/08/2019, às 21h27
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FolhaPress

O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira (15) a Noruega e sugeriu que o país europeu envie para o reflorestamento da Alemanha o montante que não será mais enviado para o Fundo Amazônia.

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Em entrevista à imprensa, após evento militar, ele se referiu à Noruega como um país que "mata baleia" e "explora petróleo" e que não tem nada a oferecer ao Brasil neste momento.

Nesta quinta-feira (15), o ministro norueguês do Clima e Meio Ambiente, Ola Elvestuen, anunciou suspensão do repasse de cerca de R$ 133 milhões. Segundo ele, o Brasil está quebrando o acordo para redução do desmatamento.

"A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Pólo Norte, não? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a oferecer para nós. Pega a grana e ajuda a [chanceler alemã] Ângela Merkel a reflorestar a Alemanha", disse.

A Noruega seguiu a decisão da Alemanha que, no sábado (10), também informou que suspenderá parte do financiamento de proteção ambiental para o Brasil. No mesmo tom adotado contra a Noruega, Bolsonaro sugeriu que a Alemanha refloreste seu próprio país.

"Eu fico surpreso em ver a Ângela Merkel e sua ministra do Meio Ambiente anunciando isso. Como se o país dela fosse algum exemplo para o mundo na questão de preservação ambiental, bem como na geração de energia limpa", disse o brasileiro.

O presidente disse ainda que o interesse dos países europeus não é em ajudar a floresta amazônica, mas em explorar a sua riqueza e exercer soberania sobre ela. Segundo ele, a "imagem péssima" do país no exterior se deve à subserviência a países desenvolvidos.

"A imagem péssima que o Brasil tinha [no exterior] era a subserviência a essas potências. Elas não estão de olho na floresta amazônica, querem a sua soberania e a sua riqueza. Isso eu falo na Câmara dos Deputados desde 1991. Nós, na floresta amazônica, temos coisas que o resto do mundo não tem mais. E o pessoal está de olho nisso", disse.

Ele lembrou ainda de sua participação no encontro do G20, no Japão, quando foi cobrado pela chanceler alemã e pelo presidente francês, Emmanuel Macron, a adotar políticas de preservação ambiental.

"Não tem prazer maior que você chegar na reunião do G20, representando o seu país sem dever nada para ninguém. E ali você expor o que você tem de falar, da forma como falei educada com Merkel e Macron, dizendo que o Brasil está sob nova direção", afirmou.

Recentemente, o desmatamento na Amazônia tem crescido de modo acentuado. A destruição em junho aumentou 88% e em julho 278% -em comparação a junho e julho de 2018-, segundo dados do Deter do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Pelo aumento no desmatamento, a Alemanha anunciou ainda que vai suspender mais de R$ 150 milhões.

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