Bolsonaro ironiza Moraes por voo da FAB: 'tinha que viajar em avião de carreira para ser aplaudido'

Publicado em 02/04/2025, às 11h43
- Marcelo Camargo/Agência Brasil

VICTÓRIA CÓCOLO/Folhapress

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou nesta quarta-feira (2) o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), por ter utilizado uma aeronave da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajar de Brasília a São Paulo um dia antes de acompanhar a conquista do título paulista pelo Corinthians no clássico contra o Palmeiras.

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Em entrevista ao canal AuriVerde Brasil, Bolsonaro afirmou que, se "Alexandre de Moraes salvou o Brasil de uma ditadura, deveria viajar em um avião de carreira".


"Se sou Alexandre de Moraes e salvei o Brasil de uma ditadura, livrei o país de um golpe, fui um herói nacional, deveria viajar em um avião de carreira e ser aplaudido. Mas é preciso ver que isso não é verdade, a realidade é completamente outra", disse.


Como mostrou a Folha de S.Paulo, a viagem de Moraes foi justificada por razões de segurança.


O ex-presidente também criticou os demais ministros que compõem a Primeira Turma do Supremo por, segundo ele, não terem isenção para julgá-lo no caso da acusação de liderar uma trama golpista em 2022 para impedir a posse de Lula (PT).


Questionado sobre a possibilidade de ser preso, Bolsonaro comparou sua situação à dos apoiadores envolvidos nos atos de 8 de janeiro. "Ninguém quer estar preso, mas quem cometeu um crime e deve ir preso tem um sentimento. Agora, esses inocentes [de 8 de janeiro] estão presos por quê?"


Moraes pediu para a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestar sobre uma notícia-crime apresentada por uma vereadora do PT do Recife para avaliar a necessidade de prisão preventiva de Bolsonaro.


Declarado inelegível até 2030 por mentiras e ataques ao sistema eleitoral e abuso de poder em 2022, o ex-presidente repetiu que "já está ao fim da vida", por ter 70 anos de idade e que, para ele, a investigação sobre sua presença na trama golpista é uma tentativa de deixá-lo fora do pleito de 2026.


O ex-mandatário, que marcou um ato a favor de anistia no próximo domingo (6) em São Paulo, comparou sua situação com a da pré-candidata na França Marine Le Pen, que está potencialmente fora das eleições de 2027, após ser condenada, nesta segunda (31), por desviar fundos do Parlamento Europeu para o caixa de seu partido.


"Buscaram que ela teria usado servidores indevidamente durante o processo eleitoral. Se criou um motivo, deram 5 anos de inelegibilidade dela, por quê? Por que ela tá crescendo muito", afirmou.

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