Bolsonaro: ‘Não teremos só laços de amizade com os EUA, mas negociações’

Publicado em 18/03/2019, às 21h03
Reprodução/Veja -

Redação

Em discurso de improviso a empresários brasileiros e americanos, em Washington, o presidente Jair Bolsonaro acusou os governos de seus antecessores de tratar os Estados Unidos como “inimigos” e afirmou que sua administração será marcada por “laços de amizade e negociações” com esse país.  Segundo o presidente, ambos os governos poderão se engajar em discussões de acordos sobre “mineralogia”, agricultura e biodiversidade.

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Bolsonaro se reunirá com o presidente americano, Donald Trump, na manhã de terça-feira, 19, na Casa Branca. No discurso, antecipou elogios ao país de destino de sua primeira visita oficial, dizendo “admirar” os Estados Unidos e considerá-los “inspiradores” para o Brasil. Ele disse que “estenderá as mãos para parcerias” com o governo americano.

“Pensamos em um Brasil grande, assim como Trump quer os Estados Unidos grandes”, afirmou, mencionando como exemplo de parceria dessa nova fase da relação bilateral o acordo de salvaguardas tecnológicas para o uso da base de lançamento de Alcântara, no Maranhão, assinado pouco antes entre os dois países.

Em uma tentativa de aproximação, o brasileiro mencionou ter conhecido Trump durante as primárias do Partido Republicano, em 2016, quando o então candidato sofria os “ataques da mídia, as fake news”. Alegou também ter sofrido agressões semelhantes em sua campanha, na qual teria gastado “menos de 1 milhão de dólares”. Admitiu ainda “só arranjamos um partido seis meses antes da eleição” de outubro passado, em referência ao PSL, considerado legenda de aluguel.

O presidente preferiu discursar de improviso, sem ler um texto previamente escrito. Com isso, sua mensagem foi do “milagre” de sua eleição a juras de amor ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que provocaram risos na plateia. “Apesar de conhecê-lo só há um ano, foi amor à primeira vista”, disse Bolsonaro, logo depois de elogiar a aproximação da visão ultraortodoxa de seu ministro com a do ex-presidente americano Ronald Reagan (1911-2004), de quem se disse um admirador.

Ele alegou que  sua eleição fez o Brasil dar uma “guinada para a direita”, para um governo que acredita na família e é contra o politicamente correto e a ideologia de gênero. Em uma nova tentativa de comparação, disse que, assim como o povo americano escolheu Trump, o brasileiro “conservador e temente a Deus” o escolheu no Brasil.

Em uma menção anterior à vontade divina, Bolsonaro afirmou que “a grande transformação do Brasil” se deveu a dois milagres. Primeiro, sua sobrevivência do atentado “ainda não elucidado”, sofrido em Juiz de Fora, em setembro. Segundo, sua eleição por um “povo cansado”, que “não aceitava mais a esquerda”.

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