Botafogo aciona Lyon na Justiça do Rio e cobra dívida superior a R$ 745 milhões

Publicado em 04/04/2026, às 11h30
- Foto: Reprodução/TV Botafogo

O Tempo

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A SAF do Botafogo ingressou com duas ações na Justiça do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (3), contra o Lyon, exigindo o pagamento de uma dívida superior a R$ 745 milhões. As cobranças se referem a transferências financeiras e empréstimos realizados sob um modelo de gestão de caixa único da rede multiclubes Eagle Football, liderada pelo empresário John Textor. O clube francês rompeu o acordo de colaboração de forma unilateral e deixou de repassar os valores devidos ao clube brasileiro.

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Estrutura das cobranças judiciais

O montante exigido pela equipe carioca divide-se em dois processos distintos. O primeiro possui caráter de título de execução extrajudicial e solicita a devolução de 21 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 125 milhões, referentes a um contrato de empréstimo intragrupo firmado em fevereiro de 2025. Essa modalidade jurídica concede ao Botafogo o direito de execução imediata em um prazo de até três dias. A diretoria alvinegra entende que o foro carioca tem jurisdição para o caso, uma vez que o Lyon aceitou essa condição no momento da assinatura do acordo.

A segunda ação protocolada pela defesa da SAF engloba 11 transferências financeiras enviadas ao clube europeu entre março de 2024 e fevereiro de 2025, totalizando aproximadamente R$ 573 milhões. O documento também aponta que o Botafogo contraiu um empréstimo de R$ 323 milhões junto ao Banco XP, através da emissão de uma Cédula de Crédito Bancário, cujo valor foi integralmente repassado aos franceses. A instituição europeia assumiu o compromisso de pagar os juros da operação, avaliados em cerca de 7,6 milhões de euros ou R$ 45 milhões, obrigação que não foi cumprida.

— Desde a instauração do referido conflito societário, o Lyon simplesmente rompeu com o acordo de cash pooling mantido entre os clubes integrantes do Grupo Eagle, sem promover a devolução das transferências de valores que haviam sido efetivadas pela SAF Botafogo. Ou seja, embora tenha sido manifestamente beneficiado com os recursos disponibilizados e emprestados pela SAF Botafogo, o Lyon optou por não honrar com os pagamentos de quase a totalidade dos valores — argumentou a defesa do Botafogo no processo.

Origem do conflito e impactos no Botafogo

O modelo de colaboração financeira teve início após o Botafogo integrar o Grupo Eagle em 2022. No final daquele mesmo ano, a rede adquiriu o Lyon, que se encontrava em situação de insolvência e sob a exigência de pagamento de dívidas por parte de bancos. Os aportes sucessivos realizados pela equipe carioca auxiliaram na reestruturação do time francês, que evitou o rebaixamento e alcançou a classificação para a Europa League. O sistema integrado de gestão também colaborou para as conquistas da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro pelo Botafogo em 2024.

A parceria foi interrompida em decorrência de conflitos internos entre os acionistas do grupo. De acordo com a nota oficial divulgada pelo clube brasileiro, a nova presidência do Lyon encerrou o acordo de forma unilateral. A falta de pagamento da dívida comprometeu o planejamento financeiro da SAF alvinegra, dificultando a renovação de contratos de atletas e resultando em uma punição da Fifa, que impediu o Botafogo de realizar contratações no fim de 2025. O clube europeu também acumula uma pendência financeira de 12 milhões de euros com o RWDM Brussels, outra equipe pertencente à rede multiclubes.

— A partir deste momento, o Botafogo está tomando medidas irreversíveis: a SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e para garantir a continuidade e solidez de seu projeto esportivo — destacou o Botafogo em comunicado oficial.

Veja a nota oficial completa

"O Botafogo protocolou, na última sexta-feira (3), ações contra o Olympique Lyonnais na Justiça, em razão de dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é assegurar o retorno dos valores devidos, fundamentais para o fortalecimento do projeto esportivo Alvinegro, e resguardar o patrimônio do Clube. Como é de conhecimento público desde a incorporação da SAF, em 2022, o Botafogo passou a integrar o Grupo Eagle, rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva foi adotado por todos os clubes do grupo um modelo colaborativo de gestão financeira e de atletas. Esse modelo contribuiu para conquistas históricas do Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve um impacto histórico no primeiro ano sob o comando de John Textor, tirando o clube da zona de rebaixamento e queda iminente, e o classificando para a Liga Europa em apenas uma janela de transferência. Eagle Football adquiriu o Olympique Lyonnais em situação de insolvência no final de 2022, com todos os bancos exigindo pagamento da dívida, e sob a ameaça de sanções pesadas do DNCG no primeiro dia de controle da Eagle. Por esse contexto, o Botafogo realizou aportes financeiros sucessivos, totalizando mais de R$ 745 milhões, a título de empréstimos, com a clara expectativa de reembolso em condições previamente estabelecidas. Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros €12 milhões ao RWDM Brussels. A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um Transferban pela FIFA no final de 2025. A partir de agora, o Botafogo realiza esse movimento de forma irreversível: A SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e assegurar a continuidade e a solidez de seu projeto esportivo."

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