Brasil será emergente com maior dívida em 2019, diz FMI

Publicado em 10/10/2018, às 10h07
Economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld. | Isto É -

O Globo

Excluindo a Venezuela - que passa por grave crise econômica e social -, o Brasil se tornará o país emergente com maior dívida bruta em relação ao PIB em 2019, informou na noite desta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu relatório “Monitor Fiscal”, divulgado em Bali, na Indonésia. Atualmente, o país ainda é superado, na relação dívida/PIB, pelo Egito.

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Há cinco anos (2013) o Brasil tinha apenas a nona maior dívida entre as 40 nações em desenvolvimento analisadas pelo Fundo.

De acordo com as projeções do FMI, a dívida bruta do país passará de 84% do PIB em 2017 para 88,4% neste ano e 90,5% do PIB em 2019. A dívida continuará subindo até chegar a representar 98,3% do PIB em 2023. Antes da recessão de 2015 e 2016, a dívida bruta estava sempre no patamar de 60% do PIB.

A dívida bruta brasileira está pior que a média dos 40 emergentes (50,7%) e que do conjunto apenas dos países latino-americanos. Mesmo levando em conta a dívida de 159% do PIB Venezuelano, a dívida média da região é de 66,9%.

Os percentuais das dívidas apresentados pelo Fundo são diferentes dos divulgados pelo Banco Central já que o FMI coloca no cálculo títulos emitidos pelo governo brasileiro, mas que não são negociados no mercado, como empréstimos entre o governo federal e estatais. O Fundo alerta que, pelos cálculos do governo brasileiro, a dívida bruta total do país seria de 74% do PIB em 2017 - dez pontos percentuais a menos do que utilizando sua metodologia.

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O Monitor Fiscal, divulgado em Bali, não faz, contudo, nenhuma grande análise sobre o Brasil. De maneira geral, apesar de reconhecer alguns avanços no equilíbrio fiscal, sobretudo nos países avançados, lembra que a situação fiscal da maior parte do mundo ainda é pior do que antes da crise global de 2008.

“As cicatrizes da crise financeira mundial no patrimônio público seguem sendo visíveis uma década após”, afirma o documento. “Estas cicatrizes colocam novamente em destaque a importância do equilíbrio das contas públicas, mediante uma redução da dívida e investimento em ativos de melhor qualidade”.

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