O Globo
Moradora de Londres, a brasileira Suellen Carey, de 39 anos, encontrou uma nova forma de ganhar dinheiro ao transformar a companhia para programas sociais em serviço pago. Participante do reality culinário romeno "Chefi la Cuțite", ela cobra £ 50 por hora, cerca de R$ 356, para acompanhar clientes em atividades como idas ao cinema, jantares e eventos. Segundo a influenciadora, três encontros já foram realizados.
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A inspiração veio do Japão, onde existe o modelo conhecido como rent-a-friend, no qual pessoas contratam alguém para acompanhá-las em diferentes ocasiões. Suellen conta que decidiu adaptar a ideia à rotina da capital britânica depois de observar as dificuldades de quem vive fora do país de origem e nem sempre consegue encontrar companhia para sair.
"Quando vi esse serviço no Japão, pensei em oferecer em Londres. Conheço pessoas que chegaram aqui e deixaram de fazer vários programas porque ainda não tinham companhia. Outras têm amigos, mas não conseguem combinar as agendas. Achei que valia apostar em um serviço para quem quer sair sem depender dessa disponibilidade", explica.
As experiências iniciais também mostraram à brasileira que a procura pelo serviço pode ter motivações variadas. Há quem queira conversar sobre um filme depois da sessão, trocar experiências sobre a vida no exterior ou simplesmente ter alguém por perto para se sentir mais à vontade em um evento social.
"No cinema, a conversa continuou depois da sessão, comentando o filme. No jantar, falamos bastante sobre morar fora e se adaptar à cidade. Já no evento, a pessoa conhecia poucos convidados e queria alguém para chegar junto e se sentar à mesa. O que mais me chamou atenção foi isso: ela queria participar, mas estava desconfortável de entrar sozinha. Eu fui para acompanhar, conversar e aproveitar aquele programa com ela", detalha.
A contratação é combinada previamente, com definição do programa e do tempo de acompanhamento. Gastos extras, como ingressos, alimentação e transporte, são acertados separadamente. Para Suellen, recorrer a esse tipo de serviço não deveria ser motivo de vergonha, já que a proposta é permitir que alguém aproveite uma atividade sem depender da disponibilidade de amigos ou conhecidos.
"Não acho que a pessoa precise justificar por que está pagando alguém para acompanhá-la. Pode querer conhecer um restaurante, assistir a um filme ou ir a uma festa sem chegar sozinha. Eu reservo aquele tempo e recebo para estar ali. Quem contrata não deveria ter vergonha de dizer que gostaria de ter companhia", conclui.
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